05 – A Criação da Naturis

By admin, 20 janeiro, 2010, 1 Comment

Com o passar dos anos, fui percebendo que de cada três associações que ajudava a criar, duas sucumbiam em pouco tempo. Geralmente, não sobreviviam às discussões para elaboração dos próprios estatutos. Se passassem disso, corriam sérios riscos de dividirem-se durante os processos eleitorais. Assim, era importante o apoio aos novos grupos.

Da experiência desse processo, acabei desenvolvendo um sistema de núcleos naturistas, comandados por delegados da FBN, nomeados diretamente pelo Presidente. Sem personalidade jurídica própria, eram extensões da federação, com um regulamento já definido. Dessa forma, foram suprimidos os dois maiores obstáculos à afirmação das novas associações: estatutos e eleições. Quando atingiam um porte mais consistente, acima de cinqüenta membros, já com algum tempo de experiências teóricas e práticas no gerenciamento do grupo, transformavam-se, então, em clubes ou associações, rompendo o “cordão umbilical” com a FBN.

 Em 1989, junto com Paula Andreazza, fundamos a Naturis.

Na época, vivíamos num terreno recebido em Comodato, ao lado da Praia do Pinho, que batizamos de Paraíso da Tartaruga.

No Paraíso da Tartaruga, construímos um pequeno camping, em platôs, pois era na encosta de um morro, e instalamos as sedes da AAPP – Associação Amigos da Praia do Pinho e da Federação Brasileira de Naturismo, entidades fundadas e até então presididas por mim.

Todos os anos chegavam novos naturistas à Praia do Pinho e ao Paraíso da Tartaruga, e estes comentavam com comigo com a e Paula que eles também sonhavam um dia poder largar tudo e ir morar numa área naturista.

Eu tinha a idéia de montar uma empresa, como uma cooperativa ou algo assim, que pudesse abrir possibilidades de trabalho a naturistas que quisessem viver em tempo integral no e do naturismo.

Para divulgação da AAPP e do Paraíso da Tartaruga,  a Paula editava o boletim informativo da AAPP, chamado PinhoÉ.

Um dia, resolvemos dar um passo maior e transformar o PinhoÉ numa revista e a empresa que já possuíamos, chamada Andreazza & Rossi Ltda, transformou-se na Naturis Empreendimentos Naturistas Ltda.

Muitas pessoas estavam na lista de potenciais sócios da nova empresa, mas apenas Milton Pereira integralizou, de fato, uma parte do capital, tendo se desligado posteriormente.

Auxiliados por Rose Espíndola Moennich, pois na época nem telefone havia por perto, começamos a desenvolver novos produtos, como camisetas e moletons, com a griffe Naturis, e adesivos. Paula transformou o boletim informativo PinhoÉ na Revista Naturis n. 0 e os sonhos começaram a tornar-se realidade.

Era muito grande a dificuldade de conseguir patrocínio para a Revista Naturis, especialmente quando o verão terminava e todos os turistas voltavam aos seus trabalhos nas grandes cidades e a Paula e eu continuávamos morando no Paraíso da Tartaruga, sem luz, sem telefone e, quando chovia, sem condições de ir até a cidade.

Investindo o resto das minhas economias geradas em dez anos de trabalho anterior, como diretor de marketing, apostei nas edições das Naturis ns. 1 e 2 como sendo o período necessário a que ela atingisse a viabilidade financeira.

Edson Medeiros, de São José dos Campos, era um grande apoiador da revista, especialmente na parte editorial, enquanto Sérgio de Oliveira tentava vender anúncios no Rio de Janeiro.

A Naturis era editada em português e inglês, pois o naturismo no Brasil era incipiente, enquanto na Europa e Estados Unidos possuía milhões de adeptos. A Revista Naturis tinha a pretensão de atingir esses mercados, atraindo turistas do hemisfério norte para as áreas naturistas no Brasil.

A romaria junto aos órgãos públicos era enorme, pois o mercado de empresários envolvidos diretamente com o naturismo era praticamente inexistente, e restava buscar o apoio de entidades oficiais incumbidas de desenvolver o turismo.

1 Response {#}
  • Boldy

    Hi,
    Thank you! I would now go on this blog every day!
    Boldy

{Comments are closed}