04 – Fundação da FBrN

By admin, 27 dezembro, 2009, No Comment

Algumas pessoas do grupo, que não haviam se dispersado após a invasão dos curiosos, começaram a trabalhar comigo, em especial o Zig, que era incansável, fazendo a “ronda”.

Já há alguns dias na praia, sem praticamente curti-la, mas proporcionando tranqüilidade para que muitos o fizessem, tive em minhas mãos a tal revista Manchete, que havia saído uns quinze dias antes.

Ao ler a reportagem, que já falava na Associação Amigos da Praia do Pinho, lembrei que, dela, só havia mesmo um manuscrito, redigido no verso de um cartaz de propaganda de cerveja. Precisava “esquentar” um pouco mais aquilo.

Tratei logo de datilografá-lo, registrando nessa transcrição a observação de que “as assinaturas encontram-se em documento original, arquivado na sede da AAPP, e assinam a presente transcrição os associados Alberto Pedro e Celso Rossi”.

O interesse da imprensa e das pessoas pela Praia do Pinho, a cada ano, ia aumentando e já não estava difícil vislumbrar um futuro, não muito distante, com algumas dezenas de milhares de pessoas praticando o Naturismo no Brasil.

Ao mesmo tempo, dentro de um Movimento tão polêmico, era nada confortável a sensação de se estar com todos os ovos na mesma cesta. Caso alguma coisa acontecesse com a Praia do Pinho, inviabilizando-a para o Naturismo, somente após outros vinte anos, talvez, reunir-se-iam, em um mesmo local e tempo, os fatores necessários ao surgimento e desenvolvimento de uma área naturista. A única maneira de assegurar a continuidade do Movimento Naturista Brasileiro era desenvolvê-lo em outros pontos do País.

3p5Na barraca, que era minha casa e escritório, já havia montado uma mesa de bambu, sobre a qual estava a máquina de escrever.

Numa tarde chuvosa do mês de janeiro de 1988, sentei à mesa, rascunhei e datilografei os estatutos da Federação Brasileira de Naturismo – FBN, que seria a entidade nacional que promoveria a fundação e desenvolvimento de novas associações no Brasil e as manteria unidas pelo mesmo ideal.

Como ainda não havia outras associações, e para que a FBN não fosse uma entidade de uma só pessoa, comprei um livro de atas e registrei a fundação da FBN como sendo o resultado de uma reunião ocorrida no restaurante da Praia do Pinho, em 15 de janeiro de 1988, entre o Presidente da AAPP e o representante da International Naturist Federation no Brasil, Hans Frillman.

No feriado da Páscoa, pouco mais de um mês depois disso, aproveitando o grande movimento de naturistas na praia, organizei e presidi três reuniões no mesmo dia: uma às 14 horas, uma às 18 horas e outra às 20 horas, todas no restaurante da Praia do Pinho.

Na primeira reunião, com mais de 20 naturistas do Rio Grande do Sul, fundamos a AGN – Associação Gaúcha de Naturismo.

Na segunda reunião, também com vinte e poucos naturistas do Paraná, fundamos a APAN – Associação Paranaense de Naturismo e, na terceira, com trinta e poucos naturistas de São Paulo, fundamos a SP-Nat – Associação Paulista de Naturismo.

Quando entramos em dúvida quanto ao que vem primeiro: o ovo ou a galinha, para não sucumbir a esse impasse, o melhor mesmo é fazer uma galinha e alguns ovos, para que tudo já comece a funcionar.

No final daquelas reuniões, eu já tinha três outras marcadas para os próximos dias: em Porto Alegre, em Curitiba e em São Paulo.

Naquele mesmo feriado de Páscoa, o jornalista Tarlis Batista, da revista Manchete, esteve na praia, junto com a fotógrafa Cristiana Isidoro. Conseguimos realizar uma excelente matéria, com muitas pessoas colaborando com a fotógrafa, que conseguiu um ótimo material para ilustrar a reportagem.5p2

Para garantir que a matéria não se desviaria  dos rumos da realidade, fui ao Rio de Janeiro, onde acompanhei a redação final da reportagem e a seleção fotográfica.

A matéria ficou muito boa e teve uma repercussão excelente.

Tarlis Batista, encantado com o desenvolvimento que conseguimos dar à Praia do Pinho, resolveu nos apoiar no que fosse preciso.

Do Rio de Janeiro, fui a São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, acompanhando as primeiras reuniões da SP-Nat, da APAN e da AGN, para elaboração e aprovação de estatutos.

Vinte dias mais tarde, encarei mais um roteiro de reuniões nas três capitais.

Em Curitiba, os diretores da APAN já haviam feito contato com proprietários de uma chácara ao pé da Serra da Graciosa. Acompanhei as negociações para viabilizar sua utilização pelos naturistas paranaenses e fomos até o local.

Cachoeiras, pequenos chalés em fase de acabamento, área para camping, piscina natural, mato, etc.: ótimo local. Um único problema: os borrachudos.

Esses borrachudos vieram a causar, mais tarde, uma divisão na APAN, entre os que queriam enfrentar os borrachudos e os que preferiram procurar outro local. Dessa divisão, nasceu a UAN – União de Amigos Naturistas, uma associação só de casais e famílias, não admitindo pessoas solteiras, que foi em busca de outra área.

Em São Paulo, após duas reuniões de aprovação de estatutos, eleição, etc., alguém descobriu o proprietário de um sítio que estaria disposto a alugá-lo para os Naturistas da SP-Nat.

Foi marcado um churrasco no local e viajei a São Paulo, novamente para verificar.

Possuía infra-estrutura completa, desde chalés, churrasqueiras até piscinas e sauna. O encontro transcorreu normalmente, a não ser pela chuva, que colaborou para que algumas pessoas abusassem um pouco da bebida.

Da segunda visita àquele sítio, entretanto, não pude participar. Somente mais tarde fiquei sabendo que a companheira do proprietário da área apareceu e demonstrou que o que queriam não era a prática do Naturismo, dentro dos nossos princípios éticos. Isso inviabilizou o uso daquele local para os encontros dos naturistas da SP-Nat.

Entre encontros e desencontros, as associações iam promovendo reuniões e debates, mas com muito poucos frutos. Era um trabalho difícil.

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