Numa tarde chuvosa do mês de janeiro de 1988, sentei à mesa, rascunhei e datilografei os estatutos da Federação Brasileira de Naturismo – FBN, que seria a entidade nacional que promoveria a fundação e desenvolvimento de novas associações no Brasil e as manteria unidas pelo mesmo ideal.
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“Quem afinal está com a razão? O povo, que quer se descontrair e “tirar” a roupa em uma praia específica de nudismo, ou a polícia que fez 25 prisões na praia do Pinho?”
Vi um cartaz de propaganda de cerveja afixado em uma coluna de madeira. Levantei e fui até o balcão do restaurante, onde peguei uma caneta. Quando, ao voltar para minha mesa, passei pela tal coluna, descolei o cartaz e levei-o comigo. No verso dele, comecei a escrever: “Assembléia de Fundação da Associação dos Naturistas da Praia do Pinho”.
Mesmo inconscientemente, não podíamos mais aceitar o fato de estarmos vestidos simplesmente para não chocar os outros, uma vez que já havíamos descoberto que nosso corpo não continha nada de imoral e pavoroso e, para nós, não havia nada mais natural e sublime do que a convivência naturista.
(…) A Sincronicidade, como batizou Jung, não aparece apenas como eventos cujas coincidências despertem teores emocionais nos seus participantes. A Sincronicidade, por uma simples questão lógica, é Absoluta em todos os momentos, desde o início dos tempos, estejamos ou não presentes, percebendo ou não o Todo que se desenrola ao nosso redor. (…)
Quando cheguei ao topo do morro que esconde a Praia do Pinho, havia um enorme engarrafamento de veículos. Alguns tentando sair, outros tentando estacionar. Tudo em meio à algazarra de pessoas gritando: “VAMOS VER OS PELADOS!”
- Acabou – disse para mim mesmo.
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“Me solta, pô! Não sou nudista! Fui assaltado ali adiante!”
(…)Mas como tudo tem um começo, envio-lhe o começo de tudo, de toda a nossa história dentro do Naturismo brasileiro: o telegrama que nos enviou o falecido jornalista Tarlis Batista, da extinta revista Manchete, informando os caminhos para a FBN; a primeira carta para a FBN (ainda no rascunho manual feita por Gilson), e a primeira carta-resposta da FBN, assinada por você. Uauuuu! Por esta nem você esperava!!!