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	<title>Celso Rossi</title>
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	<description>Naturismo - A história contada por quem a viveu.</description>
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		<title>Apresentação</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Feb 2011 09:50:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Naturismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Celso Rossi:
Está fazendo 25 anos que conheci a Praia do Pinho, em Santa Catarina. Muitas pessoas sentem aquele apelo interior de envolver-se com iniciativas de defesa de algo que está em risco de extinção, ou de ajudar alguém que está necessitando, mas talvez a maioria deixe passar esse sentimento sem que dele resulte uma ação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_161" class="wp-caption alignright" style="width: 248px"><img class="size-full wp-image-161" style="border: black 1px solid;" title="5p2" src="http://brasilnaturista.com/celsorossi/wp-content/uploads/2009/11/5p2.jpg" alt="5p2" width="238" height="361" /><p class="wp-caption-text">Carlos e Celso hasteando as bandeiras no platô do Paraíso da Tartaruga, Praia do Pinho/SC.</p></div>
<p>Celso Rossi:</p>
<p>Está fazendo 25 anos que conheci a Praia do Pinho, em Santa Catarina. Muitas pessoas sentem aquele apelo interior de envolver-se com iniciativas de defesa de algo que está em risco de extinção, ou de ajudar alguém que está necessitando, mas talvez a maioria deixe passar esse sentimento sem que dele resulte uma ação na direção de tal fim. Quando entrei na Praia do Pinho, pela primeira vez, e tive a marcante experiência paradoxalmente original de ficar completamente nu, numa grande área natural, sem sofrer por isso nenhum tipo de repreensão, em que pese houvesse outras pessoas também nuas na praia, senti que minha vida estaria inexoravelmente ligada àquela experiência, de modo igualmente intenso. Hoje, olhando para trás, vejo que valeu a pena ter tomado a iniciativa, com o risco de parecer ridícula; ter assumido a liderança de um grupo, em que pese tão heterogêneo; ter comprometido a minha imagem, publicamente, com a prática de uma filosofia de vida que, na época, era qualificada de desajustada ou até depravada, pelos mais desinformados. Em razão de tudo o que a vida me proporcionou, por ter encarado esse desafio com determinação e, ao mesmo tempo, desprendimento pessoal, me presenteando com experiências fantásticas, além de uma família de amigos eternos e filhos adoráveis, resolvi transcrever neste blog trechos de meus livros, artigos e histórias. Alguns relembrarão e muitos passarão a conhecer, e, por isso, compreender melhor porque o Naturismo, 25 anos depois, já foi experimentado por, talvez, mais de dois milhões de brasileiros e é praticado em diversos locais do Brasil, públicos e privados, com segurança e apoio dos órgãos governamentais.</p>
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		<title>Sem cabeça e sem rabo. (Capítulo XXII)</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Feb 2011 09:48:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livro Naturismo - A Redescoberta do Homem]]></category>

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		<description><![CDATA[Não podemos mais aliviar nossa culpa sob o manto da inconsciência. Nós sabemos que aquele povo, um dia, teve guerreiros, teve deuses, teve orgulho, dignidade. Suas condições de vida, em harmonia com a natureza e com as regras da seleção natural, que nós classificaríamos de pobreza ou miséria, eram, para eles, tudo o que conheciam de felicidade em função de seus valores e seus horizontes.

Hoje, fala-se em desenvolvimento sustentável, controle da natalidade, biodegradáveis, etc. Vários meios de tentar atingir um ponto de equilíbrio e harmonia entre as necessidades do homem e as condições da natureza em supri-las, sem ser consumida num processo irreversível de degradação.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Extraído do Livro:<em> Naturismo: A Redescoberta do Homem</em>, de Celso Rossi, Capítulo XXII)</p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Existe algo no nosso país com o qual não posso concordar: assisto, perplexo, a cenas na televisão nas quais pessoas são mortas, a sangue frio; desenhos infantis, em grande quantidade, baseados na violência explícita; estupros, assaltos e assassinatos sendo noticiados todos os dias. Tudo isso faz com que as pessoas encarem essas verdadeiras imoralidades como as coisas mais naturais do mundo, enquanto o corpo humano, que, em si, não tem maldade nenhuma, é algo cuja visão, ao natural, as choca.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Outro dia, estava sentado na sala de espera de um dentista, onde também se encontravam duas senhoras, folheando revistas. Observava, discretamente, a mulher ao meu lado olhando, naturalmente, fotografias “cheias de sangue” de um massacre no Oriente Médio. Depois de virar mais algumas páginas, ela fez uma expressão de espanto, colocando a mão sobre a boca. Mirei o que ela estava vendo: era a fotografia de uma moça de topless, numa praia do Rio de Janeiro.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Ela mostrou a foto para a outra senhora e disse:</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Olha só!&#8230; Está vendo?!&#8230; É o fim do mundo! Qualquer dia vão estar peladas&#8230; É uma pouca vergonha!</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Ao que a outra concordou, gesticulando afirmativamente com a cabeça.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Realmente, em parte, ela tinha razão: &#8220;É o fim do mundo!&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Não o fato da moça estar de topless, e sim a demonstração que ela própria deu da mentalidade do nosso povo e seus valores. Realmente, se as pessoas continuarem a encarar a violência com esta naturalidade, ela continuará a fazer parte do nosso dia-a-dia e poderá nos levar ao &#8220;fim do mundo&#8221;. Corpos nus não apresentam riscos às outras pessoas, não geram violência e podem levar ao &#8220;começo do mundo&#8221;. De um novo mundo, com mais respeito e amor ao próximo.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O homem precisa buscar uma nova forma de vida, no que tange ao seu relacionamento, consigo mesmo e com o mundo que o cerca. Esta busca deve iniciar de fora para dentro para, posteriormente, determinar um posicionamento de dentro para fora.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Pouco antes da conferência das Nações Unidas no Rio de Janeiro, em 1992, depois de assistir a cenas de soldados americanos distribuindo alimentos na Somália, redigi o seguinte artigo, sob o título &#8220;Uma questão de consciência&#8221;:</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"> </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">&#8220;Nas últimas semanas, temos assistido, confortavelmente sentados diante de nossos aparelhos de televisão, a cenas comoventes de uma nação morrendo de fome.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Penso que nossa civilização, de uma maneira geral, já atingiu um estágio de evolução tal que não nos permite mais escondermo-nos sob a fachada da ignorância ou da falta de consciência.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Teria existido, um dia, na África, um povo chamado Somali? Seriam esses somalis índios que viviam há milênios numa convivência equilibrada com seu meio ambiente? Seria essa tribo constituída de homens que caçavam animais selvagens e mulheres que colhiam frutos para alimentar a si mesmas e às suas crianças? Teriam esses somalis sido descobertos por outros povos &#8216;civilizados&#8217; que, além de roubar os homens das tribos para torná-los escravos, mudaram os hábitos e a cultura daqueles que aceitavam o &#8216;jogo&#8217; da seleção natural? Teriam esses povos colonizadores, que matavam os animais por interesses econômicos, ou simplesmente por esporte, proibido os somalis de caçar, sob pretextos ecológicos de preservação de espécies que a ganância e a inconsciência do homem branco puseram em extinção?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Aquele punhado de arroz branco, misturado com terra, apanhado do chão pela criança esfomeada, é mais uma punhalada de nossa &#8216;civilização&#8217; sobre aquele povo que nem sequer deixamos morrer com dignidade. É o &#8216;campo de concentração&#8217; do ano 2.000.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Não podemos mais aliviar nossa culpa sob o manto da inconsciência. Nós sabemos que aquele povo, um dia, teve guerreiros, teve deuses, teve orgulho, dignidade. Suas condições de vida, em harmonia com a natureza e com as regras da seleção natural, que nós classificaríamos de pobreza ou miséria, eram, para eles, tudo o que conheciam de felicidade em função de seus valores e seus horizontes.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Hoje, fala-se em desenvolvimento sustentável, controle da natalidade, biodegradáveis, etc. Vários meios de tentar atingir um ponto de equilíbrio e harmonia entre as necessidades do homem e as condições da natureza em supri-las, sem ser consumida num processo irreversível de degradação.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">No momento em que os últimos índios estão sendo descaracterizados e desaculturados com &#8216;calções adidas e sandálias havaiana&#8217;, os cientistas mais conscientes começam a admitir que o que se busca hoje, em termos de ocupação sustentável do planeta, é o que os índios já praticavam com orgulho, dignidade e felicidade.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Se o desafio da nossa Era é o de buscar equilíbrio ecológico, temos de abrir os olhos para o principal desequilíbrio da ecosfera: a superpopulação da espécie humana. Que a origem de quase todos os nossos problemas socio-econômicos e ecológicos é o descontrole da natalidade, com a altíssima proliferação da humanidade, é uma afirmação tão lógica quanto óbvia, não há a menor dúvida.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Se você tem um hectare de campo e coloca, sobre essa área, um boi e uma vaca, estes dois animais poderão sobreviver com o alimento que a terra produz. Se, ao longo de dois anos, nascerem dois terneiros, o mesmo espaço terá de ser dividido por quatro cabeças e a quantidade de alimento produzida continuará a mesma: o gado emagrecerá. Se você não promover o abate, reduzindo a população bovina em sua área, em pouco tempo todos morrerão de fome.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Hoje, somos cinco bilhões de habitantes sobre a face da Terra e, mesmo se todos os nossos recursos fossem divididos com igualdade, já não teríamos o suficiente para uma qualidade de vida considerada satisfatória.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Aumentar a produção de recursos para a nossa sobrevivência e conforto significa devastar mais e mais as reservas naturais.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Daqui a cinqüenta anos, seremos dez bilhões, o que, seguramente, será inviável. Entre o insatisfatório de hoje e o inviável de daqui a duas gerações está o princípio do caos, que deve ocorrer a partir do ano 2.020. É claro que existem fatores que podem atrasar ou antecipar esse momento. A evolução e a socialização da medicina, por exemplo, aumentando a expectativa de vida das pessoas e reduzindo a mortalidade infantil, podem antecipar o caos da superpopulação. As guerras e as doenças infecto-contagiosas podem conter um pouco do crescimento demográfico e retardar o caos.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Esse é o prêmio pela vitória da nossa civilização sobre as culturas indígenas. É o ano 2001 se aproximando e transformando em realidade as viagens interplanetárias sonhadas há quarenta anos atrás. É o planeta Terra sendo invadido e destruído, não por seres de outro mundo e, sim, seres humanos de uma aldeia global que não tem identidade e nem uma cultura homogênea e consistente, o que a deixa sem condições de resolver seus próprios problemas.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">É lógico que não seria uma saída aceitável aposentarmos a medicina ou deixarmos de combater as causas dos genocídios. A solução mais viável, do ponto de vista moral, seria um decisivo controle da natalidade. A iminência do abismo em que nos encontramos não nos permite mais o luxo de levantarmos argumentos religiosos avessos a essa necessidade. O planejamento familiar passa a ser uma questão de sobrevivência da humanidade.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A China já instituiu, há anos, programas rigorosos nesse sentido, interferindo profunda e drasticamente na liberdade das famílias de decidir ter dois ou mais filhos. Não sei até que ponto os povos ocidentais, acostumados a viver em liberdade, aceitariam as mesmas condições. Por outro lado, as populações desses países seriam mais suscetíveis às campanhas de marketing, associando benefícios de ordem material, e de prazer, com a redução voluntária da intenção de ter filhos.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Incentivos à esterilização voluntária e legalização do aborto teriam de ser discutidos à luz da necessidade de sobrevivência da espécie humana sobre o planeta, pois as objeções morais e religiosas só fariam por aumentar o número de crianças condenadas a viver a geração do caos.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Passado esse período, com a humanidade drasticamente reduzida, estará, então, o planeta Terra apto a comportar seus sobreviventes que, esperamos, tenham aprendido a lição.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"> </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Depois de ler o que havia escrito, percebi que poderia penetrar num terreno um pouco mais delicado, mas não menos ligado à saúde da humanidade, e redigi: &#8220;Uma questão de consciência II&#8221;:</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"> </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">&#8220;Além de um controle rigoroso de natalidade &#8211; única possibilidade de sobrevivência futura da humanidade &#8211; a redução e a racionalização do consumo, de uma maneira geral, é também uma condição essencial à manutenção da espécie humana sobre a Terra.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Em 1972, poderia ter sido feita uma pesquisa entre jovens na faixa etária dos 20 aos 30 anos de idade, que seria refeita vinte anos mais tarde, com os mesmos entrevistados, que apresentaria os seguintes resultados: &#8220;Dados de 1972 &#8211; Nome: José Carlos; Estado Civil: casado; Idade: 24 anos; Residência: Curitiba; Profissão: corretor de imóveis; Patrimônio Pessoal: um Ford Corcel, ano 70; Seu Maior Sonho: &#8220;Morar num sítio, produzindo hortigranjeiros&#8221;. Dados de 1992 &#8211; Nome: José Carlos; Estado Civil: casado; Idade: 44 anos; Profissão: empresário do setor imobiliário; Patrimônio Pessoal: dois apartamentos de 3 quartos, uma loja, um sítio, um Monza SLE, ano 91, um Ford Escort, ano 92; Seu Maior Sonho: &#8220;Morar num sítio e trabalhar na terra&#8221;&#8230; Dados de 1972 &#8211; Nome: Júlio César; Estado Civil: solteiro; Idade: 22 anos; Residência: São Paulo; Profissão: operador de máquinas; Patrimônio Pessoal: uma bicicleta Caloi; Seu Maior Sonho: &#8220;Montar um bar em alguma praia do Nordeste&#8221;.<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>Dados de 1992 &#8211; Nome: Júlio César; Estado Civil: casado; Idade: 42 anos; Residência: São Paulo; Profissão: gerente de seção; Patrimônio Pessoal: uma casa de 100 metros quadrados, um apartamento de dois dormitórios, um Monza, ano 86, um Fusca, ano 81; Seu Maior Sonho: &#8220;Ser dono de um bar na beira da Praia&#8221;&#8230; Dados de 1972 &#8211; Nome: Marcos Flávio;<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>Estado Civil: casado; Idade 24 anos; Residência: Belo Horizonte; Profissão: bancário; Patrimônio Pessoal: um apartamento de dois quartos, um Fusca, ano 70; Seu Maior Sonho: &#8220;Ter alguma renda de aluguéis e morar num veleiro, viajando pelo mundo&#8221;&#8230; Dados de 1992 &#8211; Nome: Marcos Flávio; Estado Civil: casado; Idade: 44 anos; Profissão: desempregado; Patrimônio: dois apartamentos de dois quartos e um veleiro de 34 pés; Residência: incerta (informações fornecidas por seu procurador).</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Talvez, mais de noventa por cento das pessoas enquadrem-se nos tipos de José Carlos e Júlio César. Muito poucos seguem o caminho de Marcos Flávio, transformando seus sonhos em realidade. A maioria das pessoas habitua-se a viver sonhando com um futuro e, quando a possibilidade de transformar esse futuro em presente aparece, nada fazem além de empurrá-lo mais para a frente, longe do alcance de suas mãos.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Após a falência dos sistemas comunistas, que inviabilizavam a felicidade das pessoas em função da retenção da liberdade pelo Estado, o capitalismo é o sistema sócio-econômico que impera na atualidade.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A mola propulsora do capitalismo é o consumismo &#8211; quanto maior o consumo, maior a produção, maior o número de empregos gerados, mais riqueza. O aumento da riqueza possibilita maior consumo, que, por sua vez, gera mais lixo e degradação ambiental através da fumaça das fábricas, dos insumos retirados da terra e dos resíduos químicos, além de uma necessidade de produção de energia em larga escala, o que, igualmente, compromete os recursos naturais do planeta.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A necessidade do sistema, de manter elevados os índices de consumo das pessoas, através de uma lavagem cerebral coletiva, por meio de propaganda explícita ou implícita, nos meios de comunicação de massa, leva as pessoas a habituarem-se a gastar dinheiro. Assim, as pessoas são levadas a trabalhar muito além da sua capacidade e a consumir muito além da sua necessidade. Isto torna-se um círculo vicioso no momento em que o homem agarra-se à obsessão consumista como forma de compensar a frustração do seu dia-a-dia, que foi vendido pelo salário do fim do mês.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Com o tempo, o homem perde a coragem de mudar de vida e vai postergando seus sonhos sabendo, no fundo, que nunca vai realizá-los.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Com a perda da coragem vem a insegurança que o impulsiona, mais uma vez, ao trabalho, com o fim de aumentar o patrimônio pessoal para garantir o futuro. Um futuro rico, porém, frustrado pelos sonhos enterrados. Resta ser espectador, passivo, dos filmes de aventura que a TV traz para dentro da sua casa. Na sua vida real, entretanto, nem pensar em aventura. As pessoas tornam-se seres vegetativos, meros robôs do sistema, pois a morte prematura dos sonhos mata o espírito do homem.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Boa parte dessa visão distorcida da vida vem da idéia errônea de que a felicidade é um ponto a ser atingido. Isso é um contra-senso, pois sugere que tudo o quanto vivemos antes, e depois, desse ponto é infelicidade. Mais saudável e lógico é imaginar que a felicidade é uma linha que traçamos na direção dos nossos sonhos, ao longo da qual somos felizes.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O tratamento da saúde da ecosfera passa necessariamente pelo caminho da busca da felicidade do homem que a habita. Seria um problema de fácil solução? Talvez, se encarado com seriedade e praticidade.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O atual sistema sócio-econômico do planeta Terra, de forma genérica, assegura liberdade aos homens, que são, entretanto, conduzidos através dos seus interesses materiais. Qualquer alteração que se quisesse imprimir na cultura da nossa &#8216;aldeia global&#8217; teria de ser implantada a partir dos ricos, se considerarmos como tal a população economicamente ativa &#8211; mais culta, mas, também, mais suscetível aos apelos de marketing.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Os ricos devem ser induzidos a reduzir, espontaneamente, seus níveis de consumo, transformando em moda as atividades ocupacionais que não requeiram consumo de bens materiais e, portanto, não gerem detritos, o que se poderia chamar de &#8216;ocupação ecológica&#8217;.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A redução da carga horária de trabalho e o aumento do tempo destinado ao crescimento intelectual e espiritual contribuiriam duplamente para o despertar da satisfação e da felicidade do dia-a-dia. Essa redução seria possível com a redução do consumo.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Reduzindo a jornada de trabalho, de oito para quatro horas diárias, abrem-se oportunidades de emprego para o preenchimento do horário restante, ou seja, o mesmo trabalho que é executado por uma pessoa seria realizado por duas, em dois turnos diferentes.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O aumento da oferta de emprego fortaleceria os pobres, que, então, deixariam de ser pobres e começariam a participar do &#8216;programa da felicidade&#8217;.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Finalmente, resgatada a felicidade de viver dia-a-dia, o homem recuperaria a coragem para enfrentar a realização dos seus sonhos, e é no caminho deles que está a felicidade e a paz de espírito: um estágio onde a obsessão consumista inexiste e o homem vive em harmonia com a ecosfera.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"> </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Poucos dias atrás, estava assistindo a uma novela da Rede Globo e um dos personagens resumiu, em poucas palavras, boa parte da essência do que havia escrito: &#8220;Quem trabalha, mata a fome &#8211; não come o pão de ninguém. Quem trabalha mais do que come, tira o pão de quem não tem&#8221;.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">No início de janeiro de 1992, recebi uma equipe de reportagem da revista Veja. Para minha surpresa, eles não estavam interessados em fazer uma reportagem sobre o Naturismo e, sim, sobre a minha mudança de vida, saindo da cidade e indo morar no meio do mato.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">No dia 20 de janeiro de 1992, na capa da Veja Rio Grande do Sul, saiu publicada uma foto minha, ao lado da Paula, grávida da Valentina, e do nosso filho, Gabriel. O título da capa era: &#8220;A volta por cima&#8221; e o subtítulo &#8220;Os personagens que viraram a vida do avesso e realizaram seus sonhos&#8221;.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A matéria, retratando três casos de pessoas que mudaram radicalmente de vida, começava abaixo do título &#8220;Eles viraram o jogo e se deram bem&#8221;, assim:</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">&#8220;Lourindo Antônio Pinto era diretor do Banco Iochpe. Ganhava 4.000 dólares por mês mas viajava tanto que mal via seus três filhos. Carlos Arturo Vieira Silva sempre ocupou altos cargos em grandes empresas. Até que ultrapassou a barreira dos 50 anos e se deu conta de que, num país como o Brasil, o peso da idade é muito maior do que se pode imaginar. Celso Rossi era gerente de marketing da empresa de sua família. Morava num belo apartamento e passeava de veleiro nos fins de semana. De tão cansado da vida em Porto Alegre, decidiu literalmente despir-se de tudo e foi morar na Praia do Pinho, em Santa Catarina. Virou uma espécie de embaixador brasileiro do nudismo. Lourinardo, Carlos Arturo e Celso correram anos e anos atrás do sucesso profissional e um dia se deram conta de que não haviam olhado para os lados. Um dia, eles perceberam que podia ser muito melhor e mais saudável viver a vida fora da loucura do dia-a-dia das empresas, da cotação do dólar, da movimentação das bolsas de valores. Hoje, todos vão muito bem, obrigado. Personagens como Lourinardo, Carlos Alberto e Celso contam-se em número cada vez maior no Rio Grande do Sul. Em meio à maior crise econômica de que se tem notícia na história brasileira, eles souberam a hora certa de sair da roda-viva, reconstruir tudo nos alicerces, realizar sonhos antigos &#8211; e dar a volta por cima.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A reportagem seguia contando a história dos outros personagens, e depois continuava:</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">&#8220;Mas a experiência mais radical de virada foi a promovida por Celso Rossi. Num domingo de agosto de 1987, deitado numa espreguiçadeira em seu apartamento de cobertura no bairro Passo d&#8217;Areia, em Porto Alegre, Celso declarou-se morto, segundo suas próprias palavras. Aos 27 anos, filho de um dos principais acionistas da Rossi &amp; Cia Ltda., Celso ganhava 1.200 dólares por mês como gerente de marketing. &#8216;O tédio da vida da classe média alta é que me matou&#8217;, relembra ele hoje. Na época, declarou-se morto para a sociedade de consumo, para o imposto de renda e para os amigos que compartilhavam os passeios em seu veleiro pelas águas do Guaíba. Abandonou tudo o que o incomodava na cidade e optou por explorar, até o último limite, a liberdade de viver sem compromissos, &#8217;só para mim mesmo&#8217;. Largou tudo, inclusive as roupas, e foi viver numa praia de nudismo em Santa Catarina. &#8216;Cansei de ser um almofadinha de cidade grande. Estou passando a fase mais feliz da minha vida e não me arrependo de ter trocado o luxo de um apartamento por uma casa de troncos que eu mesmo construí&#8217;, afirma.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Quando decidiu dar a volta por cima e levar uma vida mais simples, Celso já era presidente da Federação Brasileira de Naturismo, entidade criada em 1986 e que hoje tem 800 associados. Se não tivesse realmente decidido mudar, certamente teria voltado atrás logo nos primeiros dias. Durante todo o primeiro ano em que viveu na praia, a casa de troncos de eucalipto não tinha luz nem água. &#8216;Nesses cinco anos, aprendi a ver como são falsos os valores impostos pela sociedade&#8217;. Ao longo desse tempo, Celso praticamente só sai da praia para divulgar o trabalho da associação. Quando está no Pinho, dedica-se à construção de bangalôs e administra um pequeno camping no terreno onde mora. O que mais gosta de fazer é agir como um anfitrião do nudismo. Em 1988, Celso casou-se com Paula Andreazza, sobrinha do ex-ministro Mário Andreazza, outra fiel adepta do naturismo. Hoje os dois vivem na praia com o filho Gabriel, de dois anos &#8211; e aguardam, para o final deste mês, o nascimento da segunda criança. Para garantir que esse sonho não se transformasse num pesadelo, Celso vendeu tudo o que tinha antes de deixar Porto Alegre. Acumulou 25.000 dólares &#8211; &#8216;dinheiro suficiente para viver dez anos aqui&#8217; &#8211; e partiu para a grande aventura. &#8216;Comprei minha liberdade&#8217;, costuma dizer Celso. &#8216;Gastamos muito pouco, não dependemos de ninguém e só fazemos aquilo que nos dá prazer&#8217;. Para quem sempre acreditou que o único caminho é competir até alcançar o poder, seja qual for o ramo de atividade, certamente os valores defendidos por Celso e Paula não servem para nada. &#8216;Para nós o que vale é a integração com a natureza, a busca da harmonia&#8217;. Pode-se dizer que eles alcançaram seu sonho. Um sonho que está dentro de cada um. &#8216;Afinal&#8217;, resume Celso, &#8216;uma pessoa pode ser muito feliz como gerente de marketing&#8217;.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- E aí, Celso, tudo bem?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O mar batia forte contra as pedras logo abaixo do platô sobre o qual estava recostado. A<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>toalha de praia apenas isolava o contato direto da grama mal aparada contra a minha pele, formando um gostoso acolchoado verde, tal qual uma arquibancada erguendo-se vinte metros acima da espuma branca que corria de volta para o mar. O<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>céu e o mar disputavam os mais perfeitos tons de azul, nos<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>quais eu estava imerso, e o rugido da última onda não me deixou despertar para alguém que chegava pelas minhas costas, tentando me acordar.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Estavas dormindo? &#8211; insistiu aquela<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>voz, me trazendo de volta à consciência dos cinco sentidos.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Era Jorge Baun, antigo amigo naturista. Freqüentava a Praia do Pinho há anos, junto<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>com a<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>esposa e os filhos que, nesta vez, tinham ficado em Curitiba, pois a temporada de verão já havia terminado e Jorge, viajando a negócios pela região, resolveu dar uma chegada até o Paraíso da Tartaruga.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Sabe, Celso, eu te invejo &#8211; ele continuou após certificar-se de que eu estava realmente acordado. &#8211; Tivestes a coragem de jogar tudo pro alto e<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>vir morar aqui neste lugar fantástico.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Muitos<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>naturistas vinham com essa conversa de que &#8220;admiravam a minha<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>coragem e invejavam o meu modo de vida&#8221;. Paravam seus automóveis zero<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>quilômetro no estacionamento, não poupavam nas despesas, alardeavam de seus negócios, casas e apartamentos<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>de cobertura e, no dia<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>seguinte, começavam a se queixar de úlceras, problemas de insônia, stress.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Não inveje, faça<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>o mesmo &#8211; respondi.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Ah&#8230; não é bem assim. Precisa muita coragem &#8211; disse, sacudindo a cabeça.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Tu tens coragem de morar numa cidade grande, cheia de riscos, trânsito, violência?<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>Tu tens coragem de continuar comprometendo tua própria felicidade, levando uma vida desgastante, cheia de horários, contas para pagar e, ainda por cima, abrindo mão da tua liberdade e da realização dos teus sonhos? &#8211; perguntei.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Isso faz<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>parte da vida&#8230; &#8211; respondeu, com ar conformado. </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- É preciso ter<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>muita coragem pra continuar levando essa vida &#8211; concluí.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Ele entendeu<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>que não<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>era uma questão de coragem. O risco de ser assaltado em cada esquina, o fantasma do desemprego, o alto custo de<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>vida, a falta de tempo, a falta de tempo, a falta de tempo. Meus riscos começaram a parecer-lhe menores.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Já que tinha sido despertado da minha contemplação, resolvi, então, atiçar um pouco aquelas brasas já quase adormecidas.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Se já<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>vimos que não é uma questão<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>de falta de coragem, o que te impede de vir morar aqui, ou em qualquer outro lugar como este? &#8211; perguntei.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Ora&#8230; as crianças. A Carla e o Robertinho estão na escola &#8211; argumentou.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Sim, mas tu já perguntaste pra eles se eles não gostariam de<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>mudar<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>de vida? -perguntei.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Claro<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>que não!</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Por que não?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Eles<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>ainda não sabem o que é melhor pra eles &#8211; concluiu, com ar de autoridade.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Ah&#8230; e tu sabes? &#8211; mirei, interrogativo nos olhos dele. &#8211; Tu tens certeza de que, daqui a vinte ou trinta anos, eles não irão encontrar alguém morando no meio do mato, à beira do mar, e não sentirão inveja?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Mas, Celso, veja bem &#8211; argumentou, tentando se explicar -, o meu pai conseguiu dar escola prá mim e pros meus irmãos, às custas de muito trabalho e sacrifício&#8230;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- E daí?&#8230;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- E daí que, no mínimo, eu tenho a obrigação de dar o mesmo para os meus filhos, antes de pensar na minha própria vida.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A conversa cessou por alguns instantes, enquanto o mar interrompeu rugindo mais alto. Depois, o silêncio fluiu pelo ar, por alguns minutos, e, então, resolvi cortá-lo.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Então, a culpa é do teu pai &#8211; provoquei.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Como &#8220;a culpa é do meu pai&#8221;?! &#8211; exclamou, abrindo os braços, com ar de ofendido.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Sim, porque se ele não tivesse sacrificado a própria vida pra te dar estudo, tu não terias por que sacrificar a tua e a dos teus filhos, prendendo-os a um sistema de ensino arcaico por, pelo menos, vinte anos.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Ele não falou mais.<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>Eu também não. Ficamos nos<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>deixando hipnotizar pelo vem e vai das ondas e pelos leques de espumas abertos pelas maiores, quebrando nos pés do rochedo sobre o qual se erguia o platô.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Alguns anos atrás &#8211; retomei a conversa -, eu estava fazendo um curso de Análise Transacional e uma psicóloga contou a seguinte estória: &#8220;Um dia, Eric Berne foi visitar uma amiga que o havia convidado para almoçar. Durante o almoço, ele ficou intrigado com o prato que foi servido: uma travessa, finamente decorada, com peixe assado, sem cabeça e sem rabo. Depois do almoço, perguntou à sua amiga o<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>porquê do peixe sem cabeça e sem rabo. Ela respondeu que se tratava de uma receita que aprendeu com sua mãe. &#8216;E a sua mãe, onde está?&#8217;, perguntou Berne. Ela o levou até a sala onde a mãe estava assistindo televisão. Berne perguntou à mãe de sua amiga sobre a receita do peixe sem cabeça e sem rabo, ao que ela respondeu: &#8216;Sim&#8230; é um ótimo prato. Foi minha mãe quem me ensinou a preparar&#8217;. Eric Berne descobriu que a avó de sua amiga ainda era viva e residia na casa ao lado. Foi até lá e perguntou: &#8216;Minha senhora, hoje pude experimentar um prato de peixe sem cabeça e sem rabo, que sua neta preparou, e descobri que foi a senhora quem ensinou a receita. É verdade?&#8217; Ao que a velhinha perguntou intrigada: &#8216;Peixe sem cabeça e sem rabo? Não me lembro de nenhuma receita assim. Quais são os ingredientes?&#8217; Ele respondeu: &#8216;Tomate picado, cebola, azeite de oliva&#8230;&#8217; E ela interrompeu: &#8216;Ah! Já sei&#8230; É realmente um prato muito bom. Pena que, na minha época, o forno era pequeno e não cabia o peixe inteiro. Ficaria muito mais bonito se deixasse a cabeça e o rabo&#8230;&#8217;.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Terminei de contar a estória, fiz uma pausa, olhando ao redor, e perguntei:</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">- Tu já paraste para pensar se a tua própria vida não é um &#8220;peixe sem cabeça e sem rabo&#8221;?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O mar continuou trazendo e levando ondas e os dias trazendo e levando pessoas, com seus sonhos amordaçados e desculpas decoradas que justificavam, mas que jamais adoçavam o gosto amargo da vida que escorria por entre os dedos.</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Amigos de Infância (Capítulo XXI)</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Feb 2011 09:45:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livro Naturismo - A Redescoberta do Homem]]></category>

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		<description><![CDATA[Certa vez ouvi alguém comentar: "Na Praia do Pinho, a gente faz amigos da infância". Quem comentava era alguém que passara seus primeiros quinze dias na praia, em companhia da família, referindo-se aos amigos que lá havia conquistado.

Aquela expressão me chamou a atenção e passei a analisá-la: "Por que, na Praia do Pinho, a gente faz amigos da infância?"

Quando crianças, somos autênticos e abertos, receptivos. Os conhecimentos e amizades que se formam, então, são puros e verdadeiros. Não se formam baseados em imagens distorcidas, provenientes de disfarces forjados para a ocasião. A receptividade não está bloqueada por preconceitos e defesas. Os vínculos que se constroem são mais fortes.

Nesse sentido, no ambiente naturista, "voltamos ser crianças" e temos, novamente, a possibilidade de fazer "amigos de infância".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Extraído do Livro:<em> Naturismo: A Redescoberta do Homem</em>, de Celso Rossi, Capítulo XXI)</p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Ao contrário do que possa parecer, uma área de Naturismo não é um local propício a conquistas. Principalmente aqui no Brasil, onde tais áreas ainda são um movimento de ponta.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Apesar de já um tanto ultrapassado nos países desenvolvidos, no Brasil ainda temos modelos de masculinidade e feminilidade ligados a um comportamento sexualmente agressivo.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O apelo erótico ainda é extremamente utilizado nas campanhas de marketing, que visam conduzir as pessoas a consumir determinados produtos ou serviços. Portanto, o que vemos, através dos meios de comunicação, nas propagandas e anúncios, são modelos de feminilidade baseados num comportamento sexualmente provocante e sensual. </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A mulher busca, então, ser sexualmente desejada pelo maior número de homens possível.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Os homens, por sua vez, já há muitas gerações, têm procurado afirmar &#8211; e auto-afirmar &#8211; sua masculinidade, através de uma postura sexualmente obsessiva. Os dois modelos encaixam-se perfeitamente, mas não levam a nada, a não ser sexo, puro e simples.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A simples curiosidade em relação ao corpo do sexo oposto pode, muitas vezes, levar duas pessoas a um<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>motel para praticar o sexo, quando o que queriam, no fundo, era apenas conhecerem os corpos um do outro.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O resultado desse tipo de comportamento são subseqüentes frustrações, pois o relacionamento sexual de duas pessoas é algo que requer adaptação mútua, o que leva tempo e não é no primeiro encontro que se conseguirá a adaptação.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Quando o interesse que aproxima duas pessoas, pela primeira vez, é somente sexo, quando não houver nenhum outro interesse entre elas, dificilmente ambas darão prosseguimento ao seu relacionamento pelo tempo necessário à adaptação que poderia trazer maior satisfação ao casal.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Daí decorrem experiências sexuais frustradas, que em nada são positivas.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Num local onde o homem e a mulher já se conhecem completamente nus, a expectativa em relação ao corpo do sexo oposto não existe. Desarmados de disfarces, eles não conseguem representar o que não são. Assumem, então, uma postura natural.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Não quero dizer, com isso, que num ambiente de convivência naturista inexistam relacionamentos que levam ao sexo. Eles existem. Apenas afirmo que, na maioria das vezes, estes decorrem de momentos e relações verdadeiramente propícios para tanto e não movidos por falsos impulsores.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Em outras palavras, quero dizer que o sexo é resultado de sentimentos e manifestações de sensualidade e erotismo provenientes de relações de amizade, afetividade, carinho, paixão e amor.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">No âmbito familiar, o Naturismo produz o crescimento do respeito mútuo entre o casal. Aproxima a ambos, eliminando eventuais sentimentos de superioridade e poder de um em relação ao outro, na medida em que passam a encarar-se plenamente como seres humanos, em meio aos outros, na maravilhosa e autêntica individualidade que cada um representa.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O mesmo se dá com os pais em relação aos filhos. Com estes ainda, favorece uma relação muito mais íntima, livre de preconceitos e tabus, o que gera informações mais puras e saudáveis à sua educação. Todos tornam-se mais amigos e companheiros.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Quando meu filho, Gabriel, estava com um ano e meio, deparei-me com uma situação que muitos naturistas já enfrentaram: ele descobriu o meu pênis. A primeira reação que o nosso condicionamento cultural nos sugere, no momento em que nosso filho pega numa parte íntima do nosso corpo, é afastá-lo ou reprimi-lo.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Não é uma boa postura.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Gabriel ficou um mês e meio intrigado com o meu pênis. Apertando, puxando, esticando. Quando doía, eu gritava e demonstrava que não estava gostando daquela brincadeira, mas, de uma maneira geral, procurei não demonstrar muita importância ao fato. Passada aquela fase, ele não se interessou mais pelo meu pênis e parece que descobriu o seu próprio. No momento em que ele teve a curiosidade, pôde saciá-la, à vontade.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Certa vez ouvi alguém comentar: &#8220;Na Praia do Pinho, a gente faz amigos da infância&#8221;. Quem comentava era alguém que passara seus primeiros quinze dias na praia, em companhia da família, referindo-se aos amigos que lá havia conquistado.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Aquela expressão me chamou a atenção e passei a analisá-la: &#8220;Por que, na Praia do Pinho, a gente faz amigos da infância?&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Quando crianças, somos autênticos e abertos, receptivos. Os conhecimentos e amizades que se formam, então, são puros e verdadeiros. Não se formam baseados em imagens distorcidas, provenientes de disfarces forjados para a ocasião. A receptividade não está bloqueada por preconceitos e defesas. Os vínculos que se constroem são mais fortes.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Nesse sentido, no ambiente naturista, &#8220;voltamos ser crianças&#8221; e temos, novamente, a possibilidade de fazer &#8220;amigos de infância&#8221;.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Uma das grandes preocupações que, após analisar o comportamento das pessoas na praia, ainda me perturbava, era saber como relacionar-se-iam aquelas pessoas fora do ambiente naturista: levariam ou não, para além dos limites da praia, tudo aquilo que, lá, as fazia relacionarem-se como &#8220;amigos de infância&#8221;? </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Esta dúvida me acompanhou até o dia em que pude &#8220;tirar à prova&#8221; os efeitos do Naturismo, fora do seu ambiente.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Havíamos ido até a praia Vermelha, um pouco ao norte de Navegantes, para contatar com o proprietário da área, em busca de uma nova &#8220;Praia do Pinho&#8221;.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Estávamos no carro de um advogado paulista, um Monza SLE do ano, carro que combinava bem com o seu proprietário, que gostava de roupas elegantes, jóias de ouro, lugares sofisticados. Ele conheceu o Naturismo na Europa, para onde se dirigia algumas vezes por ano para freqüentar aquelas praias e clubes naturistas.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Quando estávamos voltando ao Pinho, paramos em Itajaí, na oficina autorizada Chevrolet, pois ele queria que consertassem alguma coisa no espelho retrovisor do seu carro. Enquanto aguardávamos para ser atendidos, um dos mecânicos nos reconheceu e veio até nós: era um amigo da Praia do Pinho.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Quando o vi se aproximando, inventei uma desculpa e me afastei alguns metros, para assistir àquele encontro, deixando-os à vontade, para ver quais seriam suas reações.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Era o encontro de um sofisticado &#8211; e rico &#8211; paulista com um mecânico de oficina, sujo de graxa. O paulista na faixa dos 40 anos e o mecânico, 27 ou 30 anos.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Fiquei surpreso e emocionado, ao ver que os dois se cumprimentaram com a mesma alegria com que faziam na praia e portaram-se da mesma forma.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Na Praia do Pinho, é normal todos se tratarem de igual para igual: seja rico ou pobre, culto ou ignorante, homem ou mulher, jovem ou velho, adulto ou criança.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Todos estão nus, sem as fantasias que diferenciam as pessoas e as levam a considerarem-se pelas aparências externas. Nus, todos são iguais e vêem-se refletidos uns nos outros.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">No ambiente urbano, entretanto, as pessoas voltam a vestir seus disfarces, inerentes a seus estilos de vida, o que gera preconceitos e separação de classes e níveis culturais, e isto afasta as pessoas.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Pude constatar, daquela cena que observei, que ambos não estavam nem ligando para os disfarces externos que os diferenciavam um do outro. Os laços de amizade formados na praia não se dissolveram, nem aparentemente, fora dela.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"> </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Continua em <a href="http://brasilnaturista.com/celsorossi/?p=859">http://brasilnaturista.com/celsorossi/?p=859</a></span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Postado por Celso Rossi</span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Algumas Considerações. (Capítulo XX)</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 09:49:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livro Naturismo - A Redescoberta do Homem]]></category>

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		<description><![CDATA["Desfrutando com todo o meu eu do concerto harmônico do mundo, ia ontem desnuda pelo campo com meus companheiros de clube e, com uma leveza imensa de viver, disse:

 - Se vissem como estou impregnada de doçura!...

Essa é a sensação predominante que me produz o nudismo: uma doçura tolerante e compreensiva para interpretar e desculpar todas as debilidades humanas, por ter a tranqüilidade absoluta de sentir-me desculpada definitivamente.

Todas nossas faltas provêm disso que se usa chamar tentações.

Todas nossas tentações derivam do encanto intenso que produz a emoção do perigoso, do oculto, do proibido.

Quando o perigoso, o oculto, o proibido se convertem em proteção, em realidade, em naturalidade, como por arte de mágica desaparece a tentação.

Toda a superstição do pecado, com que nos tem sido vestida a alma, desde tempo imemorial, desaparece quando os seres se olham como tais, e não como mundos revestidos de diferentes aparências.

O carnaval da vida nos tem imposto um disfarce: a roupa. Despojando-nos dela, perdemos todos os atributos fictícios que o disfarce nos impusera.

E daí, dessa liberação espiritual, é de onde provém minha doçura, minha deliciosa e comovedora doçura, quando atravesso o campo comigo e nada mais, somente eu, debaixo de mim mesma, serena e consciente, para palpitar como um pequeno coração, dentro desse grande organismo maravilhosamente harmônico que se chama vida.

Que conquista sentir que soa a oco a palavra vergonha!... Que delícia ver que seu significado se dilui em possibilidades remotas de ações vis que parecem de outro mundo... de alguma história de pesadelo angustiosamente vivida alguma vez!...

Que assombro abrir os olhos do espírito ao não escutar o eco habitual dentro de mim, pronunciando a palavra pudor!

Que admiração ao comprovar que bastou com que todos nos despojássemos das roupas, para que essa carga que nos mostrava, ao que parece sem vacilações, o bom e o mau, no permitido e no inconveniente, tenha-se evaporado no ar luminoso da manhã, sem deixar traços de sua presença!

Que alegria intensa, refrescante, adulta, de sentir-se em si mesma e sacudir este jugo tácito do que nos foi legado, imposto, e que nos mantinha como frascos de essência, fechados, herméticos, egoístas, sem perfumar os dias!

Que segurança enorme de ter a verdade, de ver a verdade, de não lhe ter medo e comprovar que ela é nossa amiga, não nossa carga... Que a má, a enganosa, a provedora de pesares e desenganos, era a ilusão... A que excitava o instinto com imaginações truculentas, que agora estão trocadas pelo encanto de uma plenitude rara, transportadora, auxiliar nossa, que nos leva amigavelmente pela mão, sem rosto austero nem dedo erguido de mestre intransigente.

Todas estas impressões da minha primeira visita ao clube se intensificaram na segunda.

Eu  sei que elas iniciam uma nova era em minha vida.

Assim pensei quando me convidaram.

Temia um pouco ir.

Eu sabia perfeitamente que mudança enorme produziria em mim. Sabia com exatidão as possibilidades que se fechavam com isso, mas ignorava em absoluto quais se abririam ante mim. Por isso, como em frente a qualquer mudança, temia. Por pior que seja uma posição ante a vida, temos por ela um extraordinário apego, por cômoda que é nos hábitos que nos impusera. Novas sensações, e de índole tão decisiva, implicavam, é claro, novíssimas reações: daí meu temor...

Mas dei o salto.

Tão preparada estava para ele que, diretamente saí do vestiário sem roupas e entrei em minha nova vida, com tal naturalidade que muitos duvidaram que fosse a primeira vez que praticava o nudismo.

Claro está que cada indivíduo é diferente e, portanto, meu exemplo, como o de cada um, não deixa de ser um caso isolado. Digo isto para que não me taxem, após lê-lo, de exagerada.

Eu sinto isto. O resto são pequenos ângulos que se abrem cada um até um diferente horizonte e cada qual terá sua palavra, sua expressão, seu aspecto diferente.

É por isso que me parece inútil convencer.

É por isso que somente parece eficaz convidar.

Aquele que, como meus companheiros de clube e eu, anseia o salto, o dará sozinho, pois quando a verdade está construída dentro, ela, por si mesma, é o bastante forte para se abrir passo."

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>(Extraído do Livro:<em> Naturismo: A Redescoberta do Homem</em>, de Celso Rossi, Capítulo XX)</p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Hoje, me pergunto como o Naturismo na Praia do Pinho vingou, já que vivemos num país que tem as mais diversas origens culturais. O povo brasileiro, como latino, é extremamente malicioso e a indústria do sexo, com o afrouxo da censura, nos últimos quinze anos, tem estimulado as pessoas nesse sentido.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Como pôde uma praia de nudismo prosperar num país com tantas religiões que condenam tal prática, por julgá-la imoral, indecente e tantas outras qualificações piores?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Como venceu a legislação penal que, para o caso, é tão genérica e dá margem a arbitrariedades por parte de quem a executa?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Como venceu a agitação promovida por políticos que procuravam, através de sua extinção, ganhar simpatia das alas mais conservadoras da comunidade?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Como pôde resistir à agressão dos curiosos, sendo a Praia do Pinho tão próxima de um dos maiores pólos turísticos do sul do Brasil?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Como tão poucos conseguiram vencer contra tantos e tantas adversidades?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A resposta não é uma só.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Não poderia deixar de considerar que as variáveis de tempo e lugar eram propícias, uma vez que na Praia do Pinho já se praticava o Naturismo de maneira furtiva. A praia,<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>em si, oferece privacidade: é escondida por escarpados morros que a cercam.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">No momento em que Tarlis Batista, repórter da revista Manchete, descobriu a praia e sobre ela fez uma reportagem, o então Secretário de Turismo do município, Osmar Nunes Filho, que não tinha conhecimento do fato, foi simpático à idéia, vendo-a como um poderoso elemento diferenciador para o marketing turístico de Balneário Camboriú.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O prefeito e o vice-prefeito, influenciados, talvez, pelo secretário de turismo, não se opuseram à idéia.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O proprietário da área adjacente à praia deixou de ser contra a iniciativa, no momento em que percebeu que poderia lucrar com ela.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Os órgãos de imprensa da região, que até a atuação da polícia, prendendo 25 naturistas, mantinham-se afastados da questão, após tal fato, passaram a ir fundo no assunto, mantendo-o em pauta.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Todas essas variáveis tornavam o local e o momento propícios ao surgimento do Naturismo no Brasil. Variáveis estas, muito difíceis de estarem reunidas num mesmo local, num mesmo tempo.<span style="mso-spacerun: yes;">   </span></span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Nada disso teria adiantado, entretanto, se o Naturismo fosse, de fato, algo prejudicial à saúde moral ou espiritual das pessoas que o praticam, ou se naquele local ou momento não tivessem surgido pessoas determinadas a abraçar a causa e lutar por ela, fosse essa luta na areia, no mar, no ar ou, ainda, na cidade, vencendo os obstáculos legais, políticos e religiosos que a sociedade impunha.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Então pergunto: o que teria levado essas pessoas a encarar uma luta tão difícil e de sucesso tão pouco provável? A resposta está em cada pessoa que, pela primeira vez, vai à Praia do Pinho e descobre o Naturismo. </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Acredito que todos temos, confessada ou não, consciente ou inconscientemente, vontade de ficar nus, quando as condições para tanto são favoráveis.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Nesse sentido, somos movidos pelos mais diversos impulsores, que vão desde a revolta contra o tabu de esconder o corpo até, quem sabe, uma &#8220;nostalgia&#8221;, de lembranças arquivadas nos &#8220;bancos de dados&#8221; contidos em nossa carga genética, dos tempos em que nossos mais remotos ancestrais viviam nus, em comunidade.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O homem, assim como todos os animais que vivem em nosso planeta, em seus habitats de origem, desenvolveu-se, no que tange à sua constituição física, adaptado a um determinado habitat, a cujas condições ambientais seu corpo tinha plenas condições de suportar, ao natural, vestido apenas por sua própria pele.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Com a proliferação da espécie, tornou-se nômade, em busca de alimento. Isto o levou a deslocar-se, em grupos, geograficamente. Esse deslocamento geográfico o levou a regiões para as quais sua constituição física não estava preparada, no que diz respeito às condições climáticas dessas regiões.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">No Brasil, ainda hoje, existem várias tribos de índios que vivem nus, pois seus corpos são perfeitamente adaptados ao ambiente onde vivem. </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Voltando à Idade da Pedra, quando o homem conseguiu dominar &#8211; e usar &#8211; o fogo, passou a aquecer-se com ele, procurando, dessa forma, eliminar o desconforto que o frio lhe causava, à medida que rumava em direção aos pólos. Como o fogo não podia acompanhá-lo, aquecendo-o por onde andasse à procura de alimento, descobriu que as peles dos animais que matava para comer, quando colocadas sobre seu corpo, o mantinham aquecido. Passou a usá-las, então, para este fim.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A vaidade e a criatividade sempre foram características da constituição da personalidade do homem. Estes elementos, somados, deram início à &#8220;indústria de confecções&#8221;, gerada, a princípio, por uma necessidade de proteção. De então, até o século<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>XVI depois de Cristo, segundo Alvin Toffler, há registros de que não era incomum ver-se pessoas andando nuas, até mesmo nas ruas das grandes cidades da Europa.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Com o advento da Revolução Industrial, a produção da indústria do vestuário passou a ser maior do que a procura. O marketing já se fazia presente naquela época, no que tange ao direcionamento dos hábitos populares. Evidente que, a partir de então, passou a ser ridículo estar nu em público, pois isso caracterizava pobreza e o homem havia mergulhado numa alucinada competição em busca de beleza exterior, esquecendo-se de que o homem sem invólucro é o verdadeiro homem, como dizia Goethe.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A participação da Igreja também colaborou nesse sentido.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Em 1935, já existia, na Argentina, uma associação chamada PANDA &#8211; Primera Associación Naturo Desnudista Argentina. De uma de suas publicações, extraí um artigo de uma escritora da época, que identificou-se apenas pelas iniciais M.S.V., sob o título &#8220;Mi cercano nuevo mundo&#8221;, que transmite suas sensações quando de sua primeira visita a um ambiente de convivência naturista, que passo a traduzir:</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"> </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">&#8220;Desfrutando com todo o meu eu do concerto harmônico do mundo, ia ontem desnuda pelo campo com meus companheiros de clube e, com uma leveza imensa de viver, disse:</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"><span style="mso-spacerun: yes;"> </span>- Se vissem como estou impregnada de doçura!&#8230;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Essa é a sensação predominante que me produz o nudismo: uma doçura tolerante e compreensiva para interpretar e desculpar todas as debilidades humanas, por ter a tranqüilidade absoluta de sentir-me desculpada definitivamente.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Todas nossas faltas provêm disso que se usa chamar tentações.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Todas nossas tentações derivam do encanto intenso que produz a emoção do perigoso, do oculto, do proibido.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Quando o perigoso, o oculto, o proibido se convertem em proteção, em realidade, em naturalidade, como por arte de mágica desaparece a tentação.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Toda a superstição do pecado, com que nos tem sido vestida a alma, desde tempo imemorial, desaparece quando os seres se olham como tais, e não como mundos revestidos de diferentes aparências.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O carnaval da vida nos tem imposto um disfarce: a roupa. Despojando-nos dela, perdemos todos os atributos fictícios que o disfarce nos impusera.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">E daí, dessa liberação espiritual, é de onde provém minha doçura, minha deliciosa e comovedora doçura, quando atravesso o campo comigo e nada mais, somente eu, debaixo de mim mesma, serena e consciente, para palpitar como um pequeno coração, dentro desse grande organismo maravilhosamente harmônico que se chama vida.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Que conquista sentir que soa a oco a palavra vergonha!&#8230; Que delícia ver que seu significado se dilui em possibilidades remotas de ações vis que parecem de outro mundo&#8230; de alguma história de pesadelo angustiosamente vivida alguma vez!&#8230;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Que assombro abrir os olhos do espírito ao não escutar o eco habitual dentro de mim, pronunciando a palavra pudor!</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Que admiração ao comprovar que bastou com que todos nos despojássemos das roupas, para que essa carga que nos mostrava, ao que parece sem vacilações, o bom e o mau, no permitido e no inconveniente, tenha-se evaporado no ar luminoso da manhã, sem deixar traços de sua presença!</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Que alegria intensa, refrescante, adulta, de sentir-se em si mesma e sacudir este jugo tácito do que nos foi legado, imposto, e que nos mantinha como frascos de essência, fechados, herméticos, egoístas, sem perfumar os dias!</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Que segurança enorme de ter a verdade, de ver a verdade, de não lhe ter medo e comprovar que ela é nossa amiga, não nossa carga&#8230; Que a má, a enganosa, a provedora de pesares e desenganos, era a ilusão&#8230; A que excitava o instinto com imaginações truculentas, que agora estão trocadas pelo encanto de uma plenitude rara, transportadora, auxiliar nossa, que nos leva amigavelmente pela mão, sem rosto austero nem dedo erguido de mestre intransigente.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Todas estas impressões da minha primeira visita ao clube se intensificaram na segunda.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Eu<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>sei que elas iniciam uma nova era em minha vida.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Assim pensei quando me convidaram.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Temia um pouco ir.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Eu sabia perfeitamente que mudança enorme produziria em mim. Sabia com exatidão as possibilidades que se fechavam com isso, mas ignorava em absoluto quais se abririam ante mim. Por isso, como em frente a qualquer mudança, temia. Por pior que seja uma posição ante a vida, temos por ela um extraordinário apego, por cômoda que é nos hábitos que nos impusera. Novas sensações, e de índole tão decisiva, implicavam, é claro, novíssimas reações: daí meu temor&#8230;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Mas dei o salto.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Tão preparada estava para ele que, diretamente saí do vestiário sem roupas e entrei em minha nova vida, com tal naturalidade que muitos duvidaram que fosse a primeira vez que praticava o nudismo.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Claro está que cada indivíduo é diferente e, portanto, meu exemplo, como o de cada um, não deixa de ser um caso isolado. Digo isto para que não me taxem, após lê-lo, de exagerada.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Eu sinto isto. O resto são pequenos ângulos que se abrem cada um até um diferente horizonte e cada qual terá sua palavra, sua expressão, seu aspecto diferente.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">É por isso que me parece inútil convencer.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">É por isso que somente parece eficaz convidar.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Aquele que, como meus companheiros de clube e eu, anseia o salto, o dará sozinho, pois quando a verdade está construída dentro, ela, por si mesma, é o bastante forte para se abrir passo.&#8221;</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"> </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Muitas coisas mudaram nos últimos sessenta anos, mas essa sensação de leveza, como se tirássemos um pesado fardo da nossa consciência, tão bem descrita pela escritora argentina, parece não ter mudado nas pessoas que, hoje, aderem ao Naturismo.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Os turistas que chegam à Praia do Pinho, mesmo que atraídos somente pela curiosidade, surpreendem-se com o que lá acontece. Muitos esperam encontrar uma praia por onde manequins desfilam sua beleza exuberante. Outros esperam encontrar um local onde a liberdade é total e &#8220;rola de tudo&#8221;. Poucos, entretanto, deixam de surpreender-se com aquele local, onde velhos, crianças, jovens e adultos convivem harmoniosamente, em plena nudez, não dando a menor intenção ao fato de estarem nus.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O &#8220;alto astral&#8221; que aquele ambiente produz e apresenta a quem o vê de fora, com famílias inteiras, do avô ao neto, desfrutando do seu lazer com toda tranqüilidade, atrai qualquer pessoa a participar do que ali acontece.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Porém, a decisão dessa pessoa, de tirar a roupa para ingressar e conviver naquele ambiente naturista, vai depender de uma série de fatores internos e externos a ela própria.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Temos registrado uma estatística peculiarmente interessante: das pessoas que chegam à Praia do Pinho, pela primeira vez, entre sete horas da manhã e meio-dia, 80% aderem ao Naturismo; das que chegam entre meio-dia e três da tarde, 40%; e das que chegam após este horário, apenas 20%.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Estas diferenças de força atrativa que o local exerce, nestes diferentes horários, demonstram claramente a influência dos aspectos externos sobre a decisão de nele ingressar.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Poderia comentar, a respeito, que a praia, pela manhã, é naturalmente muito mais atrativa, esteja a pessoa nua ou vestida. Até o meio-dia, ela ainda está um pouco vazia, oferecendo locais desocupados que permitem maior privacidade aos &#8220;naturistas de primeira viagem&#8221;. Após o meio-dia, já apresenta uma concentração maior de pessoas, o que reduz esses locais e sua privacidade. Depois das três da tarde, além de não ser mais um horário estimulante, pois geralmente já começa a ventar e o calor do sol já não está mais tão forte, começa um fluxo de turistas e curiosos muito grande, o que assusta a quem quer se iniciar nessa prática.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Afora estes, podemos considerar alguns aspectos internos ao indivíduo. A intensidade dos preconceitos que carrega, com relação a este tipo de comportamento, arraigados em sua estrutura psicológica, frutos da educação religiosa ou familiar que recebeu, pode ser maior ou menor em cada indivíduo. Da mesma forma, a importância que ele dá à sua aparência física. Se ele considera que sua estética é importante para sua aceitação pelas pessoas, e as suas roupas possam disfarçar certas linhas de seu corpo que ele julga menos elegantes, terá, certamente, maior medo de expor-se como é.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Tudo vai girar em torno da maior ou menor segurança que a pessoa sentir com relação a ser ou não aceita pelos outros, após expor-se completamente, ao natural.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Sendo propícias estas variáveis externas e internas, a pessoa vai ingressar na sua &#8220;nova vida&#8221;. Na vida real, sem disfarces ou fingimentos, sem procurar aparentar o que não é.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Mesmo que a pessoa enfrente, timidamente, as dificuldades inerentes ao ato de se despir, em poucos minutos ela se sentirá à vontade. Isto decorre do fato de que, num ambiente naturista, encontram-se todos os tipos de pessoas, de ambos os sexos e das mais variadas idades. Dessa forma, ninguém vai chamar demasiada atenção sobre si, pelo simples fato de estar nu: todos estão igualmente nus.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">A questão estética não é levada em consideração: ninguém tem um corpo perfeito e muito menos a obrigação de tê-lo. Isso gera a aceitação de todos por todos.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Ora, todos temos, sejamos mais ou menos bonitos, uma boa dose de insegurança com relação ao nosso próprio corpo. Esta insegurança, às vezes, é responsável por sérios problemas de timidez, que atrapalham e limitam as pessoas nos seus relacionamentos com os outros.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">No momento em que uma pessoa ingressa num ambiente naturista e vê-se aceita, ela nota que, na verdade, nada a impede de aceitar a si mesma. Já que os outros gostam dela assim, por que ela própria não irá gostar?</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Daí, começa o crescimento pessoal: sentindo-se aceita, a pessoa passa gostar mais de si mesma, aumenta a sua segurança e autoconfiança e, com isso, seu amor-próprio.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">O amor-próprio é o elemento mais importante na busca da felicidade. Ninguém consegue ser feliz se não gostar de si mesmo, com todos os seus &#8220;defeitos e qualidades&#8221;. Defeitos e qualidades são relativos a quem os julga. São subjetivos. Nosso maior juiz e carrasco somos nós mesmos. Num ambiente naturista, não são as outras pessoas que vão julgar se estamos dentro, ou fora, dos padrões estéticos aceitáveis. Portanto, se alguém tem medo deste julgamento, não deve olhar-se no espelho.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Todas as pessoas que praticam o Naturismo passaram por isso quando começaram; portanto, compreendem perfeitamente o sentimento<span style="mso-spacerun: yes;">  </span>de quem, pela primeira vez, ingressa em uma área naturista.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Quando a pessoa se sente aceita como é, sente-se igualmente perdoada por todos os seus supostos &#8220;defeitos&#8221;. Isto a livra de um enorme peso, o que a faz sentir-se leve e confiante, a ver a si própria com bons olhos e, conseqüentemente, a ver o mundo e os outros, igualmente, com bons olhos.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Este é o mecanismo psicológico básico que mantém, espontaneamente, a característica terapêutica do ambiente naturista. É o que faz as pessoas transmitirem às outras o que lá receberam: aceitação pura e simples para serem autênticas, sem máscaras ou disfarces.</span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;"> </span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Continua em <a href="http://brasilnaturista.com/celsorossi/?p=857">http://brasilnaturista.com/celsorossi/?p=857</a></span></p>
<p class="MsoPlainText" style="text-align: justify; text-indent: 35.45pt; margin: 0cm 0cm 0pt;"><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-size: 11pt; mso-bidi-font-size: 10.0pt;">Postado por Celso Rossi</span></p>
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		<title>Econat &#8211; Ecovila Naturista Colina do Sol</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Dec 2010 00:40:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ecologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ecovila é um modelo de assentamento humano sustentável. São comunidades urbanas ou rurais de pessoas que tem a intenção de integrar uma vida social harmônica a um estilo de vida sustentável.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div><span style="COLOR: black">Postado por Celso Rossi:</span></div>
<div><span style="COLOR: black"> </span></div>
<div><span style="COLOR: black">Muito se discute a respeito da diferença entre nudismo e naturismo. Não consigo imaginar o conceito de Naturismo sem o conteúdo ecológico que traz em seu significado.</span></div>
<div><span style="COLOR: black">Nos últimos tempos, tenho desenvolvido um projeto de implantação de uma ecovila na Colina do Sol. Para os neófitos, transcrevo abaixo o significado de ecovila.</span></div>
<p><span style="COLOR: black"><strong>Ecovila</strong> é um modelo de assentamento humano sustentável. São comunidades urbanas ou rurais de pessoas que tem a intenção de integrar uma vida social harmônica a um estilo de vida sustentável. Para alcançar este objetivo, as ecovilas incluem em sua organização muitas práticas como:</span><br />
 </p>
<ol>
<li><span style="COLOR: black"><span style="COLOR: black">Produção local e orgânica de alimentos;</span></span></li>
<li><span style="COLOR: black">Utilização de sistemas de energias renováveis;</span></li>
<li><span style="COLOR: black">Utilização de material de baixo impacto ambiental nas construções (bioconstrução ou Arquitetura sustentável);</span></li>
<li><span style="COLOR: black">Criação de esquemas de apoio social e familiar;</span></li>
<li><span style="COLOR: black">Diversidade cultural e espiritual;</span></li>
<li><span style="COLOR: black">Governança circular e empoderamento mutuo, incluindo experiência com novos processos de tomada de decisão e consenso;</span></li>
<li><span style="COLOR: black">Economia solidária, cooperativismo e rede de trocas;</span></li>
<li><span style="COLOR: black">Educação transdisciplinar e holística;</span></li>
<li><span style="COLOR: black">Sistema de Saúde integral e preventivo;</span></li>
<li><span style="COLOR: black">Preservação e manejo de ecossistemas locais;</span></li>
<li><span style="COLOR: black">Comunicação e ativismo global e local.</span></li>
</ol>
<div><span style="COLOR: black">Ao longo de milhares de anos a humanidade viveu em comunidades sustentáveis, em contato íntimo com a natureza, desenvolvendo uma gigantesca diversidade cultural, onde em geral imperava uma estrutura social de apoio mútuo e cooperação. O evento da sociedade patriarcal e guerreira é bastante recente (16.000 anos), mas tem causado um grande impacto no planeta. Enquanto isso as sociedades tradicionais lutam por sobreviver.</span><br />
<span style="COLOR: black">Neste contexto as ecovilas surgem como modelos alternativos ao padrão insustentável das sociedades modernas, incorporando os antigos conhecimentos com a moderna ciência e filosofia. De acordo com um número crescente de cientistas, teremos que aprender a viver de forma sustentável, se quisermos sobreviver como espécie. Os modelos de sustentabilidade desenvolvidos ao longo de mais de 40 anos pelas milhares de ecovilas ao redor do mundo formam um grande banco de dados de soluções aos atuais problemas da humanidade e fonte de riquíssimas experiências que podem ajudar a reconectar as pessoas à Terra numa forma que permita o bem estar de todas as formas de vida e futuras gerações.</span><br />
<span style="COLOR: black">Os defensores das ecovilas afirmam que o ser humano é capaz de criar uma vida cheia de amor e sentido. E essa seria a parte central numa ecovila, sua vida social, cultural e espiritual. Segundo eles, os seres humanos são seres sociais e amorosos por natureza, apesar de a cultura ocidental moderna valorizar em excesso o indivilualismo, a competição, a violência, o poder, o controle, a desconfiança e a apropriação. Reconectar os seres humanos a sua natureza significaria barrar estes valores, limpando esta carga cultural, e colocando a cooperação, o amor, o respeito, a transparência, a solidariedade e a confiança novamente no centro de suas vidas.</span><br />
<span style="COLOR: black">Em 1998, as ecovilas foram nomeadas oficialmente na lista da ONU das 100 melhores práticas para o desenvolvimento sustentável, como modelos excelentes de vida sustentável.</span><br />
<span style="COLOR: black">Elas surgem de acordo com as características de suas próprias bio-regiões e englobam tipicamente quatro dimensões: a social, a ecológica, a cultural e a espiritual, combinadas numa abordagem que estimula o desenvolvimento comunitário e pessoal.</span><br />
<span style="COLOR: black">O conceito de ecovilas oferece um único modelo, embora com múltiplas manifestações locais. No núcleo do modelo está a celebração da diversidade cultural, espiritual e ecológica e o impulso para se recriar comunidades humanas em que as pessoas possam redescobrir as relações saudáveis e sustentáveis consigo mesmas, a sociedade e a Terra. O modelo de ecovila tem proposto soluções viáveis para erradicação da pobreza e da degradação do meio-ambiente e combina um contexto de apoio sócio-cultural com um estilo de vida de baixo impacto.</span><br />
<span style="COLOR: black">O que é sustentado numa ecovila não é o crescimento econômico ou o desenvolvimento, mas toda a rede de vida da qual depende nossa sobrevivência futura de longo prazo. Uma ecovila é programada de tal maneira que os negócios, as estruturas físicas e tecnológicas não interfiram com a habilidade inerente à natureza de manter a vida. Um dos princípios fundamentais do modelo é não tirar da Terra mais do que podemos devolver a ela. E assim fazendo, potencialmente, a comunidade pode continuar indefinidamente. Um dos conceitos utilizados nas ecovilas é o da permacultura, que é um sistema de design sustentável.</span><br />
<span style="COLOR: black">A implementação das ecovilas envolve um esforço das bases, de baixo para cima, mais do que a abordagem de cima para baixo. Cada ecovila dentro do seu próprio contexto cultural e ambiental, busca e demonstra soluções locais, usando tecnologias apropriadas, materiais locais, know-how local e antes de tudo oferecendo soluções compatíveis e acessíveis a todos.</span><br />
<span style="COLOR: black">O conceito de ecovila tem sido promovido e implementado por grupos espalhados pelo planeta, muitas vezes com recursos limitados e mínimo apoio institucional ou governamental. Estes grupos demonstram exemplos viáveis de vida auto-sustentada, modelos positivos traduzidos em realidade, para que outros grupos e indivíduos possam aprender, e inspirar-se onde o sucesso já foi alcançado.</span><br />
<span style="COLOR: black">Essa é a missão do movimento das ecovilas: explorar novas fronteiras e praticar aplicações concretas para a sustentabilidade. Nesta busca elas tecem uma filosofia de harmonia e paixão, sonho e visão, de terra e cosmo, de tecnologia e espírito, de educação e ativismo, de dança e canto, de ciclo e equilíbrio, de morte e renovação. Ecovilas, em síntese, honram, restauram e celebram os quatro elementos e seus processos interconectados na Natureza e nas pessoas. (Wikipédia) Posted by Celso Rossi</span></div>
<div><span style="COLOR: black">Naturismo é na Colina do Sol.</span></div>
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		<title>O &#8220;espírito de Naturismo&#8221;.</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2010 11:49:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Naturismo]]></category>

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		<description><![CDATA[Os anos de leitura me trouxeram logo à lembrança duas passagens. A primeira conta a história de uma floresta que estava em chamas e todos os animais fugiam do fogo. Em sentido contrário voava um beija-flor, com água no bico. Os animais zombaram do pequeno bombeiro, que estava fazendo um esforço em vão, ao que o beija-flor respondeu: “Estou fazendo a minha parte”. A outra história não é história, mas uma frase histórica de um famoso presidente americano que, adaptada para a Colina do Sol, ficaria: “Não pergunte o que a Colina pode fazer por você, mas o que você pode fazer pela Colina.”]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Por Celso Rossi </span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Estamos chegando perto do Natal e nesta época as pessoas começam a trocar mensagens pela internet com desejos de prosperidade, paz, saúde, amizade. É o famoso “espírito de Natal” que, todo fim de ano, invade nossa agenda. Há quem critique, afirmando que as pessoas só trocam mensagens amorosas em dezembro, quando deveria ser uma prática constante, o ano inteiro. Pessoalmente, prefiro que haja pelo menos uma época do que nenhuma, que poderia significar nunca.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Para cada pessoa isso tem um senso diferente. Como no Naturismo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Antes de descobrir nos livros a excitante aventura das novas descobertas, das viagens por experiências alheias e do estímulo à prática da filosofia – leia-se: até os trinta anos de idade –, eu não tinha muita paciência para ficar parado na praia, tomando sol. Ou estava pescando, ou surfando, ou mergulhando. Minhas férias eram uma maratona.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Quando conheci a Praia do Pinho, a experiência do Naturismo me arrebatou. A sensação de liberdade, de aproximação sensual com os elementos da natureza: o vento, a água, a areia, trazendo novas sensações táteis em regiões até então intocadas; o contato com outras pessoas também contaminadas com a inocência que a despudorização do corpo traz como efeito colateral, tudo isso me trouxe um reencontro com minha própria identidade, que estava abafada desde que fui aculturado, urbanizado e pudorizado: sou naturista!</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Fruto da minha inquietação – pré-leitor-obstinado –, não conseguia ficar deitado na praia simplesmente pegando sol. Depois que as conversas perdiam seu conteúdo aproveitável eu me via forçado a levantar e fazer alguma coisa. Procurar alguma atividade que me fizesse sentir útil ao mundo. Não sei como tantas pessoas que se descobrem com talentos não sentem essa compulsão de dar um retorno à natureza que as concebeu assim, oferecendo seu trabalho voluntário a qualquer coisa que possa vir a melhorar o mundo.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Essa inquietação e senso de retribuição me impulsionaram a procurar, na Praia do Pinho, onde passei a desfrutar minhas férias, algo de útil para fazer. A necessidade mais constante daquele paraíso era a função de “porteiro”, pois não havia nenhuma organização voltada à prática e preservação do Naturismo na área. Ficava lá na entrada da praia, horas a fio, recepcionando os turistas que chegavam e explicando as “normas de funcionamento” – como se existisse alguma.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Mais tarde, o desenrolar dos acontecimentos acabou me levando a fundar a Associação Amigos da Praia do Pinho, que promoveu a “legislação” oficial do local e acabou sendo a precursora de todo o Movimento Naturista no Brasil.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Trabalhei na criação de várias outras áreas de Naturismo e, por último, na Colina do Sol, essa comunidade naturista internacionalmente conhecida. Quando a Colina estava concluída, meu senso de utilidade deixou de ter terreno de ação e como minha presença inibia novas lideranças, resolvi procurar outro lugar para morar e outras coisas para fazer.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Passados cinco anos, voltei a residir na Colina que, enferma em decorrência de incidentes alheios à nossa vontade, que ganharam o noticiário nacional, oferece novamente uma vasta gama de terrenos ávidos por pessoas como eu: que gostam de fazer qualquer coisa útil, mesmo que seja “fazer o bem sem ver a quem”.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Havia vários meses, eu estava pleiteando junto ao clube que a areia da praia fosse substituída, pois, com o passar dos anos, muita matéria orgânica se incorporou à mesma e fica difícil retirar a grama que insiste em aflorar. Todo um trabalho de remoção da areia suja, até o concreto sobre a qual ela se espalha, o conserto do piso de concreto e a colocação da areia nova se faz necessário. Garanti ao conselho do clube que bastaria o mesmo comprar a areia, que todo o trabalho necessário seria feito pelos próprios naturistas.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">A areia foi comprada e comecei o trabalho de cavar a areia velha – em alguns pontos já sob a forma de gramado – para ir limpando o concreto e posteriormente colocar a areia nova. Muito poucos “colineiros” – até agora – se ofereceram para ajudar. A praia tem cerca de 120 metros de extensão por uma média de 10 metros de largura e será um trabalho bem grande e demorado (ótimo!).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-size: small;"><span style="font-family: Times New Roman;">O que me chamou a atenção – e que me levou a escrever este texto – foram dois comentários que ouvi de naturistas que chegaram para ver o que eu estava fazendo. Um disse: “Mas isso não é um trabalho que deve ser feito pelos funcionários do clube?”. O outro disse: “Acho que tu vais terminar isso lá pelo ano 2025.”</span></span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Os anos de leitura me trouxeram logo à lembrança duas passagens. A primeira conta a história de uma floresta que estava em chamas e todos os animais fugiam do fogo. Em sentido contrário, voava um beija-flor, com água no bico. Os animais zombaram do pequeno bombeiro, que estava fazendo um esforço em vão, ao que o beija-flor respondeu: “Estou fazendo a minha parte”. A outra história não é história, mas uma frase histórica de um famoso presidente americano que, adaptada para a Colina do Sol, ficaria: “Não pergunte o que a Colina pode fazer por você, mas o que você pode fazer pela Colina.”</span></p>
<p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify; TEXT-INDENT: 35.45pt; MARGIN: 0cm 0cm 6pt"><span style="font-family: Times New Roman; font-size: small;">Pode ser apenas uma sensação pessoal. Talvez uns poucos mais a tenham. Mas o Naturismo, para mim também tem algo que se poderia chamar de “espírito de Naturismo”. E isso tem a ver com participação útil em benefício do grupo de pessoas que compartilham desse mesmo ideal, ou em benefício da natureza que nos acolhe no meio da sua esplendorosa beleza. Esse “espírito de Naturismo” não ocorre numa data específica do ano e sim quando algo deve ser feito pelo Naturismo. Seja a reforma da praia, seja a reconstrução da própria imagem da Colina do Sol, esse é um momento onde o “espírito de Naturismo” irrompe no coração daqueles que sentem compulsão a retribuir ao mundo um pouco dos talentos com quais foram dotados pela Natureza. Esse é o &#8220;espírito de Naturismo&#8221;.</span></p>
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