Apresentação

By admin, 11 fevereiro, 2011, 1 Comment
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Carlos e Celso hasteando as bandeiras no platô do Paraíso da Tartaruga, Praia do Pinho/SC.

Celso Rossi:

Está fazendo 25 anos que conheci a Praia do Pinho, em Santa Catarina. Muitas pessoas sentem aquele apelo interior de envolver-se com iniciativas de defesa de algo que está em risco de extinção, ou de ajudar alguém que está necessitando, mas talvez a maioria deixe passar esse sentimento sem que dele resulte uma ação na direção de tal fim. Quando entrei na Praia do Pinho, pela primeira vez, e tive a marcante experiência paradoxalmente original de ficar completamente nu, numa grande área natural, sem sofrer por isso nenhum tipo de repreensão, em que pese houvesse outras pessoas também nuas na praia, senti que minha vida estaria inexoravelmente ligada àquela experiência, de modo igualmente intenso. Hoje, olhando para trás, vejo que valeu a pena ter tomado a iniciativa, com o risco de parecer ridícula; ter assumido a liderança de um grupo, em que pese tão heterogêneo; ter comprometido a minha imagem, publicamente, com a prática de uma filosofia de vida que, na época, era qualificada de desajustada ou até depravada, pelos mais desinformados. Em razão de tudo o que a vida me proporcionou, por ter encarado esse desafio com determinação e, ao mesmo tempo, desprendimento pessoal, me presenteando com experiências fantásticas, além de uma família de amigos eternos e filhos adoráveis, resolvi transcrever neste blog trechos de meus livros, artigos e histórias. Alguns relembrarão e muitos passarão a conhecer, e, por isso, compreender melhor porque o Naturismo, 25 anos depois, já foi experimentado por, talvez, mais de dois milhões de brasileiros e é praticado em diversos locais do Brasil, públicos e privados, com segurança e apoio dos órgãos governamentais.

Sem cabeça e sem rabo. (Capítulo XXII)

By admin, 11 fevereiro, 2011, No Comment

Não podemos mais aliviar nossa culpa sob o manto da inconsciência. Nós sabemos que aquele povo, um dia, teve guerreiros, teve deuses, teve orgulho, dignidade. Suas condições de vida, em harmonia com a natureza e com as regras da seleção natural, que nós classificaríamos de pobreza ou miséria, eram, para eles, tudo o que conheciam de felicidade em função de seus valores e seus horizontes.

Hoje, fala-se em desenvolvimento sustentável, controle da natalidade, biodegradáveis, etc. Vários meios de tentar atingir um ponto de equilíbrio e harmonia entre as necessidades do homem e as condições da natureza em supri-las, sem ser consumida num processo irreversível de degradação.

Amigos de Infância (Capítulo XXI)

By admin, 11 fevereiro, 2011, No Comment

Certa vez ouvi alguém comentar: “Na Praia do Pinho, a gente faz amigos da infância”. Quem comentava era alguém que passara seus primeiros quinze dias na praia, em companhia da família, referindo-se aos amigos que lá havia conquistado.

Aquela expressão me chamou a atenção e passei a analisá-la: “Por que, na Praia do Pinho, a gente faz amigos da infância?”

Quando crianças, somos autênticos e abertos, receptivos. Os conhecimentos e amizades que se formam, então, são puros e verdadeiros. Não se formam baseados em imagens distorcidas, provenientes de disfarces forjados para a ocasião. A receptividade não está bloqueada por preconceitos e defesas. Os vínculos que se constroem são mais fortes.

Nesse sentido, no ambiente naturista, “voltamos ser crianças” e temos, novamente, a possibilidade de fazer “amigos de infância”.

Algumas Considerações. (Capítulo XX)

By admin, 13 janeiro, 2011, No Comment

“Desfrutando com todo o meu eu do concerto harmônico do mundo, ia ontem desnuda pelo campo com meus companheiros de clube e, com uma leveza imensa de viver, disse:

– Se vissem como estou impregnada de doçura!…

Essa é a sensação predominante que me produz o nudismo: uma doçura tolerante e compreensiva para interpretar e desculpar todas as debilidades humanas, por ter a tranqüilidade absoluta de sentir-me desculpada definitivamente.

Todas nossas faltas provêm disso que se usa chamar tentações.

Todas nossas tentações derivam do encanto intenso que produz a emoção do perigoso, do oculto, do proibido.

Quando o perigoso, o oculto, o proibido se convertem em proteção, em realidade, em naturalidade, como por arte de mágica desaparece a tentação.

Toda a superstição do pecado, com que nos tem sido vestida a alma, desde tempo imemorial, desaparece quando os seres se olham como tais, e não como mundos revestidos de diferentes aparências.

O carnaval da vida nos tem imposto um disfarce: a roupa. Despojando-nos dela, perdemos todos os atributos fictícios que o disfarce nos impusera.

E daí, dessa liberação espiritual, é de onde provém minha doçura, minha deliciosa e comovedora doçura, quando atravesso o campo comigo e nada mais, somente eu, debaixo de mim mesma, serena e consciente, para palpitar como um pequeno coração, dentro desse grande organismo maravilhosamente harmônico que se chama vida.

Que conquista sentir que soa a oco a palavra vergonha!… Que delícia ver que seu significado se dilui em possibilidades remotas de ações vis que parecem de outro mundo… de alguma história de pesadelo angustiosamente vivida alguma vez!…

Que assombro abrir os olhos do espírito ao não escutar o eco habitual dentro de mim, pronunciando a palavra pudor!

Que admiração ao comprovar que bastou com que todos nos despojássemos das roupas, para que essa carga que nos mostrava, ao que parece sem vacilações, o bom e o mau, no permitido e no inconveniente, tenha-se evaporado no ar luminoso da manhã, sem deixar traços de sua presença!

Que alegria intensa, refrescante, adulta, de sentir-se em si mesma e sacudir este jugo tácito do que nos foi legado, imposto, e que nos mantinha como frascos de essência, fechados, herméticos, egoístas, sem perfumar os dias!

Que segurança enorme de ter a verdade, de ver a verdade, de não lhe ter medo e comprovar que ela é nossa amiga, não nossa carga… Que a má, a enganosa, a provedora de pesares e desenganos, era a ilusão… A que excitava o instinto com imaginações truculentas, que agora estão trocadas pelo encanto de uma plenitude rara, transportadora, auxiliar nossa, que nos leva amigavelmente pela mão, sem rosto austero nem dedo erguido de mestre intransigente.

Todas estas impressões da minha primeira visita ao clube se intensificaram na segunda.

Eu sei que elas iniciam uma nova era em minha vida.

Assim pensei quando me convidaram.

Temia um pouco ir.

Eu sabia perfeitamente que mudança enorme produziria em mim. Sabia com exatidão as possibilidades que se fechavam com isso, mas ignorava em absoluto quais se abririam ante mim. Por isso, como em frente a qualquer mudança, temia. Por pior que seja uma posição ante a vida, temos por ela um extraordinário apego, por cômoda que é nos hábitos que nos impusera. Novas sensações, e de índole tão decisiva, implicavam, é claro, novíssimas reações: daí meu temor…

Mas dei o salto.

Tão preparada estava para ele que, diretamente saí do vestiário sem roupas e entrei em minha nova vida, com tal naturalidade que muitos duvidaram que fosse a primeira vez que praticava o nudismo.

Claro está que cada indivíduo é diferente e, portanto, meu exemplo, como o de cada um, não deixa de ser um caso isolado. Digo isto para que não me taxem, após lê-lo, de exagerada.

Eu sinto isto. O resto são pequenos ângulos que se abrem cada um até um diferente horizonte e cada qual terá sua palavra, sua expressão, seu aspecto diferente.

É por isso que me parece inútil convencer.

É por isso que somente parece eficaz convidar.

Aquele que, como meus companheiros de clube e eu, anseia o salto, o dará sozinho, pois quando a verdade está construída dentro, ela, por si mesma, é o bastante forte para se abrir passo.”

Econat – Ecovila Naturista Colina do Sol

By admin, 15 dezembro, 2010, No Comment

Ecovila é um modelo de assentamento humano sustentável. São comunidades urbanas ou rurais de pessoas que tem a intenção de integrar uma vida social harmônica a um estilo de vida sustentável.

O “espírito de Naturismo”.

By admin, 13 dezembro, 2010, No Comment

Os anos de leitura me trouxeram logo à lembrança duas passagens. A primeira conta a história de uma floresta que estava em chamas e todos os animais fugiam do fogo. Em sentido contrário voava um beija-flor, com água no bico. Os animais zombaram do pequeno bombeiro, que estava fazendo um esforço em vão, ao que o beija-flor respondeu: “Estou fazendo a minha parte”. A outra história não é história, mas uma frase histórica de um famoso presidente americano que, adaptada para a Colina do Sol, ficaria: “Não pergunte o que a Colina pode fazer por você, mas o que você pode fazer pela Colina.”