Blog da Glacy
O blog da comunidade naturista
O blog da comunidade naturista
mai 10th
A família Macuxi fez suas trouxas e se mudou para a beira do rio, foi mais para perto do mar.
Lá encontrei o Julíndio bastante motivado organizando o território para receber os naturistas.
Cavando com as próprias mãos, usando pá e enxada, fez um tanque para um banho de cuia.
Um local no meio do mato, com nascente de água límpida e fresca, capaz de matar a sede e o calor, em um ritual purificador, do corpo.
Fomos caminhando ao seu lado para ver a ilha, que o riacho em seu tortuoso caminho, serpenteou antes de descer para o rio.
É a abundância de água que faz a riqueza deste lugar, com muitas árvores de frutas pelo caminho.
Ele nos indica o espaço reservado para a construção das ocas para receber as pessoas que tem espirito aventureiro e, não se importam de abrir mão do conforto.
Para experimentar outro tipo de vida igualmente rica: de comer fruta no pé, nadar no rio, caminhar nas trilhas e descer o rio de barco.
Fizemos o passeio no rio em canoas de fibras, conhecidas por caiaque, semelhantes às feitas de troncos de árvores usadas pelos índios.
Muita adrenalina, encalhada no meio dos igarapés, fazendo força com os remos para sair dali, imaginei a selva, claro, sem os jacarés, eu descendo o rio para o encontro com o mar.
Ele esta disposto a implantar a ideia de um turismo indígena, recriando em terras da Paraíba um Território Macuxi, que pretende resgatar os valores do respeito à natureza cuja, grandiosidade e luxo ficam por conta da exuberância daquela terra.
Em breve teremos acesso à nova terra, desta família, que por opção vive como os índios. Recebem de braços abertos quem chega, com muito acolhimento, em sua oca sem portas e janelas.
mai 2nd
Tivemos no percurso do trajeto algumas provas, umas que exigiam resistência e outras estratégias para êxito da nossa caravana, que retornava do congresso em Barra Seca.
Na subida para o Rincão Naturismo, já final de tarde, o motor home patinou no barro e ficou atolado, em apuros o líder Marcelo foi buscar socorro a pé para nos rebocar.
Sentados a beira do caminho, em frente a uma cadeia de montanhas em Guaratinguetá, jogávamos pedras na vala para passar o tempo, na tentativa de preencher o espaço onde o pneu atolou.
O motorista subiu no carro para uma tentativa de sair dali, arrancou o carro, nos estávamos do lado de fora na frente dele, olhamos para trás e ele mandou correr, subimos o morro correndo com os chinelos de dedos batendo na bunda.
Lá em cima, já a salvos, entramos no carro, finalmente chegamos ao Rincão. Às nuvens grossas e escuras nos perseguindo.
Recomendava a prudência não passar a noite ali, cansados com fome e sono resolvemos pernoitar, se a chuva apertasse, desceríamos a estrada de chão no meio da noite mesmo, porque senão teríamos que ficar ali até a estrada ter condições de passar.
Alex o atual presidente da SONATA/Paraíba retornou no voo de Florianóplis para João Pessoa...em tempo.
Fomos dormir apreensivos, um dos passageiros do motor home tinha passagem de avião marcada, para o dia seguinte embarcar em Florianópolis.
Temos que resolver um problema de cada vez, agora é pensar em sair com o carro daqui.
Deita a cabeça no travesseiro e sonha a noite inteira com chuvas intensas, acorda olha o céu pela janela, nenhuma estrela, silêncio absoluto lá fora.
Às quatro horas da manhã, o motorista gira a chave de partida do motor home, e começa a descer a estrada de chão para pegar o asfalto, nós todos pulamos rapidamente dos beliches, era tensa a descida no escuro, ficamos sentados de prontidão na cozinha, ao lado da cabine.
Sacoleja daqui, sacoleja de lá, balança tudo, abre a porta do armário e cai uma dezena de pratos se espatifando no chão, aumenta adrenalina do grupo, o breu da noite diminui com a aurora do dia.
Estamos a poucos metros da estrada de asfalto, a euforia toma conta, aplausos ao motorista, ainda sobraram alguns pratos no armário, começa a cair, no para brisas do motor home, as primeiras gotas de chuva e ela irá nos acompanhar até o final da viagem.
mar 20th
Entre os convidados, que participaram da festa de posse do conselho do Clube Naturista Colina do Sol, estavam presentes naturistas que tinham colocados seus pés ali pela primeira vez, ainda quando em cima daquela terra, só existia pastagem, gado, muita bosta de vaca, pequenos bosques de mata nativa e plantações de eucaliptos e acácias.
Tudo eram promessas: uma vila com cabanas, camping, pousada, lagos, piscinas, restaurante, mercado e etc…
O número reduzido de pioneiros, com grandes sonhos para aquele local, eram o que tinham de mais concreto naquele momento.
Um deles, o memorável Augusto Carneiro, que entre tantas histórias de vida e luta pela ecologia, foi um dos primeiros sócios e incentivador do clube naturista.
Augusto Carneiro recebendo das mãos do presidenteFederação Brasileira de Naturismo João Olavo o certificado de reconhecimento
Foi homenageado pela Federação Brasileira de Naturismo, frente a plateia que o aplaudia, agradeceu emocionado e fez a seguinte pergunta aos dirigentes: No que eu posso ajudar?
Tu podes ajudar Carneiro com o teu exemplo de sabedoria e humildade.
Na lembrança de cada um de nós colineiros, que tiveram o privilégio de teu convívio, figura a tua imagem, caminhando pelas ruas da Colina, segurando um cabo de madeira, na ponta um prego.
Passeava na Colina para catar o lixo: papeis de balas, toco de cigarros, e outros tantos rastros do descaso das pessoas com a terra que os acolhe e alimenta.
Tu és um exemplo que não há desculpas para deixar o lixo jogado no chão, a tua frase ecoa pelos caminhos: “O lixo que você achou é seu”.
Tomara que este hábito não caia em desuso pelas pessoas que estão chegando agora, nesta vila tão impregnada pela tua energia.
Sempre se pode fazer mais e, a Deise que foi indicada pela diretoria anterior, como sócia honorária, teve total aquiescência da recém empossada diretoria. Foi convidado o ex-diretor Collins para fazer a entrega do certificado para a homenageada.
A Deise que nos deu tantas mudas de flores e sementes espalhadas por toda a Colina, além é claro, das suas receitas de doces. O doce de carambola em caldas é o meu preferido.
O padre Otávio, como ele mesmo esclarece, não existe ex-padre.
Hoje o que existe é um Otávio cada vez mais espiritualizado, passa seus dias revolvendo e plantando na terra, cultivando frutos e rosas. Ele já transcendeu há muito tempo, esta aqui, juntamente com sua família, para nos presentear, com seu sorriso aberto, com sua presença serena e tranquila.
Liselote, que veio especialmente de Porto Alegre para trazer o Augusto Carneiro, mais uma vez não nos faltou. Ela se incluiu em todos os projetos, sem ser naturista de carteirinha, ajudou a erguer a maior vila naturista da América Latina.
Há mais de uma década este trio "parada dura" se apoia e confraterniza nas conquistas pelo naturismo
No almoço de confraternização dos sócios e convidados podia se ver, no rosto de cada um, a alegria de compartilhar suas histórias vividas nesta comunidade.
O presidente Etacir e a vice Zaíra recebendo a filiação das mãos do presidente da Federação Brasileira de Naturismo João Olavo e do vice Marcelo Pacheco
Uma longa caminhada na trajetória de consolidação no convívio social.
Uma maneira desafiadora, nua e crua, com as diferentes formas de lidar com a nudez, o preconceito e os conflitos.
A continuação desta história, com inicio lá nos primórdios, quando não conhecíamos o pecado e nossa nudez representava a inocente e vulnerável fragilidade do homem, é a busca de viver em harmonia consigo mesmo e com a natureza.
fev 13th
Me ajudem a olhar o mar que de tão azul choca.
Sai lá do fundo da garganta um som de espanto, me tira também o ar, diante de tamanha beleza.
Os penhascos de pedra onde se equilibram, como nuvens branquinhas, milhares de casas dependuradas, aos seus pés o azul do mar, sobre suas cabeças o azul infinito do céu.
Os deuses elegeram a cor azul para adornar as ilhas de Santorini e Mykonos no mar Egeu.
Os caminhos e ruelas para se chegar lá no alto são feitos em lombos de mulas, este pequeno animal mereceu uma estátua, um símbolo de resistência e fortaleza em caminhos tão íngremes.
Encontramos aqui nas antigas esculturas, o berço da nudez, reveladas nas obras de escavações, um povo que cultuava os jogos olímpicos nus.
Hoje a nudez se resume a este período da história grega. Encontramos poucas praias de nudez tolerada, destaque para a ilha de Mykonos frequentada por todas as tribos globais.
Na terra dos deuses o sol se põe dando espetáculo para uma plateia empoleirada em sacadas e muros.
Todo mundo volta diferente de uma viagem. Conhecer novos lugares, novas pessoas, novas visões de mundo e, a partir daí, crescer culturalmente ou emocionalmente ou profissionalmente.
A vontade enorme de retornar outras vezes, como forma de reviver tudo aquilo que me encantou, de repetir a mesma emoção.
Dando voltas neste mundo eu posso garantir, que a riqueza esta em encantar-se a cada estreia de um dia que nasce do outro lado do globo, para emocionar plateias que assistem, do lado de cá, um dia terminando com mais um espetáculo do por do sol.
Comentários